sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Que presente eles querem?

Como estamos comemorando o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, pensei em contar uma história de superação ou trazer alguma informação dos eventos que estão acontecendo no dia de hoje, mas resolvi fazer algo diferente e mostrar o outro lado da história. Convidei um amigo que não tem deficiência, mas que conhece bem sobre o assunto. O jornalista, cartunista e roteirista Victor Klier, autor do projeto de HQ Turma da Febeca, do qual já comentei aqui.
Como nos quadrinhos, Victor trata do assunto de maneira natural e bem humorada, fazendo com que o tema saia da visão comum.
Agradeço, Victor ,ter me presenteado com esse texto, já que é meu dia também, não é mesmo? (hehe)

Que presente eles querem?

Hoje é dia dos deficientes, segundo o calendário dos novos tempos ditado pelo politicamente correto. Agora temos o dia da consciência negra, o dia do orgulho gay e uma infinidade de dias homenageando pessoas por sua importância histórica, (esta mais tradicional), por sua condição familiar, como pais e mães (esta mais por interesses comerciais) e por fim os dias do “politicamente correto”.
Antes que pensem que sou contra esses “dias”, saibam que não sou! Ao contrário até... Pois acredito que dias como os das mães ou dos pais, pessoas tão importantes e representativas em nossas vidas, todos os dias são dias deles. Concordam? Isso que digo nem é uma novidade e já é até meio clichê, mas é sempre bom lembrar que a maioria das pessoas com deficiência permanece com sua deficiência antes, durante e depois do dia em sua homenagem, e a maioria será até o fim da vida. O que quero dizer é que devemos lembrar todos os dias da importância de termos uma sociedade mais consciente. Acessibilidade e inclusão social não é favor, é direito adquirido e não é para funcionar só no dia dos deficientes, assim como criança não deve ter carinho e atenção somente no dia das crianças, certo?
No dia do trabalho, ninguém trabalha, estranho, né? Seria interessante se no dia dos deficientes, por exemplo, cadeirantes levantassem de suas cadeiras e saíssem andando e assim ficassem. Como não é o caso, cabe a todos a responsabilidade de lembrar de que o mundo precisa respeitar a TODAS as diferenças e as limitações de cada um, pois no fundo somos todos deficientes... Ou acha que não?
Uma pergunta que não quer calar... Devemos presentear os deficientes no dia dos deficientes, como fazemos com mães, pais, crianças etc? Certamente se o comércio for esperto, descobrirá uma nova forma de lucro... Mas acho que o presente que todos os deficientes gostariam de ganhar, mais do que qualquer objeto de loja, seria o de ser lembrado que é um ser humano como qualquer um de nós, com sentimentos, com os mesmo direitos de ir e vir, de estudar e trabalhar, de namorar, de fazer sexo (oba!), de ser feliz... Feliz dias dos deficientes! Feliz dia para todos nós!
Victor Klier

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Acessibilidade acessível... é possível?

O que vem em sua mente ao ouvir a palavra acessibilidade?

Com as mudanças que vêm ocorrendo, por conta da inclusão social das pessoas com deficiência, tem até acontecido alguma modificação nas estruturas arquitetônicas; já vimos piso tátil, estacionamento com vagas reservadas, rampas. Alguns lugares constroem de forma precária, outros com toda infra-estrutura, porém, os próprios dirigentes desses lugares não entendem que a acessibilidade tem que ser acessível...
Fui num dos teatros aqui da minha cidade, Presidente Prudente (SP), anexo ao prédio da prefeitura, e o acesso da calçada para a bilheteria tem duas escadarias: a primeira, com uns oito degraus estreitos, e a segunda é parecida, mas há um elevador para cadeirantes. Existe uma maneira de entrar sem ter que descer pela primeira escada, que é pelo estacionamento da prefeitura cercado por grades e portões, terminando o estacionamento, existe outro portão
Eu e meu amigo fomos num domingo e os portões estavam fechados, com alguns carros da prefeitura guardados. Então, ele foi perguntar para a funcionária da bilheteria como eu entraria lá e ficaram sem saber o que fazer, respondendo-lhe que logo viria alguém para abrir os portões, esperamos muito e então ele decidiu descer as escadas comigo(ele aprendeu a descer e subir degraus comigo na cadeira), e ele avisou a funcionária que já havíamos descido a primeira escada, aí aconteceu o mais engraçado, o elevador estava fechado, nos disseram a mesma coisa, que esperássemos alguém vir abri-lo , percebemos um corre-corre, provavelmente nem sabiam onde estava a chave. Como queríamos assistir à peça, resolvemos nos aventurar e descer a outra escadaria. Avisamos novamente e a moça, com um sorriso de alívio estampado no rosto, disse-nos: “ Ah sim! Já vamos abrir a porta para que entrem primeiro “.
Prontamente e com muita gentileza e simpatia, como se fosse um ato heróico, abriram a porta para que entrássemos ... muito bacana exerceram a cidadania!
O interessante é que, mesmo com toda essa dificuldade e constrangimento de ambas as partes, nossa (do meu amigo e eu) e deles, por não estarem preparados para usar a acessibilidade disponível, ainda assim, na saída não abriram o elevador nem os portões, saímos da mesma maneira que entramos.
Tenho vivenciado muitas situações parecidas, em escolas que tem rampas ou entradas plainas, mas tem que manter o portão fechado, por que as pessoas sem deficiência não respeitam, param motos na entrada, impedindo o acesso, ou dizem que não abrem porque não tem deficientes freqüentando o prédio. Claro! não são todos que tem o “espírito” aventureiro, já enfrentam as barreiras físicas, ainda chegar numa escola, ter que gritar da calçada –“Oi estou aqui, abram o portão”, e esperar por uns 5 minutos até um funcionário chegar e abrir(vivi isso numa das escolas). Também numa escola de teatro, com rampa, mas o portão que mantém aberto é do estacionamento com pedrinhas soltas, impossível de circular com a cadeira...
Engraçado também uma sorveteria muito bacana daqui, construíram uma rampa suave, bem revestida, cheguei no fim da rampa colocaram mesas e estavam ocupadas por duas famílias que tiveram que sair, cada um segurando sua taça gigantesca de sorvete e os funcionários retirando as mesas e cadeiras
A universidade onde estudo tem um número considerável de vagas reservadas para pessoas com deficiência, sinalizadas, com guia rebaixada. Faz um ano e meio que freqüento lá, mas era impossível conseguir uma vaga sequer, pois os motoqueiros ocupavam todas, inclusive no rebaixamento das calçadas, dificultando nosso acesso. Para fazer valer esse direito dos verdadeiros usuários, a universidade teve que fechar a entrada das vagas e disponibilizar dois funcionários para manter a organização.
É certo isso, ter que “cercar” a acessibilidade para que seja acessível?
O que está faltando é conscientização e educação de um modo geral.
Eu sou diferente de você. Você é diferente de mim. Somos todos diferentes, mas numa coisa somos iguais... Gostamos de respeito!

O motorista deste carro não tem deficiencia, mas usa a vaga.

Todas as vagas usadas por motoqueiros
são reservadas para pessoa com deficiencia.

Caminhada com mais de três mil participantes,
com muitos cadeirantes convidados...
Aceitei o convite para a caminhada, mas tive que enfrentar
obstáculos para chegar no ponto de partida, que era logo
depois da escadaria. Convidaram cadeirantes, mas
esqueceram de providenciar acessibilidade.

sábado, 18 de setembro de 2010

O amor faz a diferença

Ultimamente, temos convivido com muitas notícias terríveis, carregadas de barbárie. E o mais assustador é que alguns dos muitos casos são cometidos pelos próprios pais. A pessoa que deveria ser a imagem de proteção e segurança para uma criança comete crimes aterrorizantes, com requintes de crueldade, contra esses seres indefesos.
Tamanho é o bombardeio diário da mídia em cima dessas notícias, que nos acabamos adaptando a elas e aprendendo a conviver com certa naturalidade e até de maneira alienada.
Fico-me perguntando: Onde está e em que momento se perdeu o “amor natural” que serviria como referência entre os sentimentos mais nobres, dentre todas as formas de amor incondicional?
São perguntas que se calam dentro de mim, sem respostas ou pelo menos que cheguem perto de alguma razão aparente, dentro dos delírios da mente humana, que justifiquem tamanha loucura.
Foi num desses meus questionamentos que acabei me deparando com a história de Dick e Rick Hoyt, que hoje divido com você e que, em meio a esse lamaçal, vem provar, mais uma vez, que, enquanto alguns cometem atos de extrema crueldade e desumanidade, outros se dedicam, de forma visceral, aos mesmos, fazendo-nos crer no caráter humano e em atos de amor, que justificam a razão de sermos chamados de GENTE!!!!
O texto original foi publicado em inglês na Sports Illustrated e é de autoria de Rick Reilly.
O pai mais forte do mundo
Oitenta e cinco vezes Dick Hoyt empurrou seu filho deficiente, Rick, por 42 quilômetros em maratonas. Oitenta vezes ele não só empurrou seu filho os 42 quilômetros em uma cadeira de rodas, mas também o rebocou por quatro quilômetros em um barquinho enquanto nadava e pedalou 180 quilômetros com ele sentado em um banco no guidão da bicicleta tudo isso em um mesmo dia.
Dick também o levou em corridas de esqui, escalou montanhas com ele às costas e chegou a atravessar os Estados Unidos rebocando-o com uma bicicleta. E o que Rick fez por seu pai? Não muito exceto salvar sua vida.
Esta história de amor começou em Winchester, nos EUA, há 43 anos quando Rick foi estrangulado pelo cordão umbilical durante o parto, ficando com uma lesão cerebral e incapacitado de controlar os membros do corpo.
-Ele irá vegetar pelo resto da vida - disse o médico para Dick e sua esposa Judy quando Rick tinha nove meses.
- Vocês devem interná-lo em uma instituição.
Mas o casal não acreditou. Eles repararam como os olhos de Rick seguiam os dois pelo quarto. Quando Rick fez 11 anos eles o levaram ao departamento de engenharia da Tufts University e perguntaram se havia algum jeito do garoto se comunicar.
- Jeito nenhum - disseram a Dick - Seu cérebro não tem atividade alguma.
- Conte uma piada para ele - Dick desafiou. Eles contaram e Rick riu. Na verdade tinha muita coisa acontecendo no cérebro de Rick.
Usando um computador adaptado para ele poder controlar o cursor tocando com a cabeça um botão no encosto de sua cadeira, Rick finalmente foi capaz de se comunicar. Primeiras palavras? "Go Bruins!", o grito da torcida dos times da Universidade da Califórnia.
Depois que um estudante ficou paralítico em um acidente e a escola decidiu organizar uma corrida para levantar fundos para ele, Rick digitou: "Papai, quero participar".
Isso mesmo. Como poderia Dick, que se considerava a si mesmo um "leitão", que nunca tinha corrido mais que um quilômetro de cada vez, empurrar seu filho por oito quilômetros? Mesmo assim ele tentou.
- Daquela vez eu fui o inválido - lembra Dick - Fiquei com dores durante duas semanas.
Aquilo mudou a vida de Rick. Ele digitou em seu computador:
- Papai, quando você corria eu me sentia como se não fosse mais portador de deficiências.
O que Rick disse mudou a vida de Dick. Ele ficou obcecado por dar a Rick essa sensação quantas vezes pudesse. Começou a se dedicar tanto para entrar em forma que ele e Rick estavam prontos para tentar a Maratona de Boston em 1979.
- Impossível! - disse um dos organizadores da corrida.
Pai e filho não eram um só corredor e também não se enquadravam na categoria dos corredores em cadeira de rodas. Durante alguns anos Dick e Rick simplesmente entraram na multidão e correram de qualquer jeito. Finalmente encontraram uma forma de entrar oficialmente na corrida: Em 1983 eles correram tanto em outra maratona que seu tempo permitia qualificá-los para participar da maratona de Boston no ano seguinte.
Depois alguém sugeriu que tentassem um Triatlon. Como poderia alguém que nunca soube nadar e não andava de bicicleta desde os seis anos de idade rebocar seu filho de 50 quilos em um triatlon? Mesmo assim Dick tentou.
Hoje ele já participou de 212 triatlons, inclusive quatro cansativos Ironmans de 15 horas no Havaí. Deve ser demais alguém nos seus 25 anos de idade ser ultrapassado por um velho rebocando um adulto em um barquinho, você não acha? Então por que Dick não competia sozinho?
- De jeito nenhum - ele diz. Dick faz isso apenas pela sensação que Rick pode ter e demonstrar com seu grande sorriso enquanto correm, nadam e pedalam juntos.
Este ano, aos 65 e 43 anos de idade respectivamente, Dick e Rick completaram a 24a. Maratona de Boston na posição 5.083 entre mais de 20 mil participantes. Seu melhor tempo? Duas horas e 40 minutos em 1992, apenas 35 minutos mais que o recorde mundial que, caso você não saiba, foi batido por um homem que não empurrava ninguém numa cadeira de rodas enquanto corria.
- Não há dúvida - digita Dick - Meu pai é o Pai do Século.
E Dick também ganhou algo com isso. Há dois anos ele teve um leve ataque cardíaco durante uma corrida. Os médicos descobriram que uma de suas artérias estava 95% entupida. Os médicos disseram que se ele não tivesse se dedicado para entrar em forma é provável que já teria morrido uns 15 anos antes. De certa forma Dick e Rick salvaram a vida um do outro.
Rick, que hoje tem seu próprio apartamento (ele recebe cuidados médicos) e trabalha em Boston, e Dick, que se aposentou do exército e mora em Holland, Massachussets, sempre acham um jeito de ficarem juntos. Eles fazem palestras em todo o país e participam de alguma cansativa corrida nos finais de semana.
No próximo Dia dos Pais Rick irá pagar um jantar para seu pai, mas o que ele deseja mesmo poder fazer é um presente que ninguém poderia comprar.
- Eu gostaria - digita Rick - de um dia poder empurrar meu pai na cadeira pelo menos uma vez.

Acompanhe a história em video


sexta-feira, 20 de agosto de 2010

A elegância do comportamento

Já ouvi, muito, que uma pessoa, numa cadeira de rodas, perde toda a elegância, principalmente as mulheres.
Como tenho a alma inquieta, tento entender os porquês dos acontecimentos, dos pensamentos das pessoas, principalmente se tratando talvez não de um preconceito, mas de uma má informação, de um pensamento já pré-estabelecido. Então lembrei-me de um texto de Martha Medeiros, muito bom, que mostra, de forma inteligente, que a elegância não consiste apenas em segurar um talher corretamente, vestir-se bem, andar de salto alto, mas transcende esta ideia e conceito fúteis.
Veja o texto:
A elegância do comportamento
“As pessoas geralmente se preocupam com a aparência física e se esmeram, para mostrar certa elegância, de acordo com suas possibilidades. Isto é natural do ser humano. Tanto que muitos buscam escolas que ensinam boas maneiras.
No entanto existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isto, esteja cada vez mais rara: a elegância do comportamento. É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza. É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais corriqueiras, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto - é uma elegância desobrigada. É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam. Nas pessoas que mais escutam do que falam.
E quando falam, passam longe da fofoca, das maldades ampliadas de boca em boca. É possível detectá-la, também, nas pessoas que não usam um tom superior de voz. Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores, porque não sentem prazer em humilhar os outros. É uma elegância que pode ser observada em pessoas pontuais, que respeitam o tempo dos outros e seu próprio tempo.
Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece. É quem cumpre o que promete e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte, antes, quem está falando, para, só depois, mandar dizer se está ou não.
É elegante não ficar espaçoso demais. Não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao de outro. É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais.
É elegante retribuir carinho e solidariedade. Sobrenome, cargo e joias não substituem a elegância do gesto. Não há livro de etiqueta que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo e a viver nele sem arrogância.
Podemos tentar capturar esta delicadeza natural por meio da observação, mas tentar imitá-la é improdutivo. A pessoa de comportamento elegante fala, no mesmo tom de voz, com todos os indivíduos indistintamente.
Ter comportamento elegante é ser gentil sem afetação;
É ser amigo sem conivência negativa;
É ser sincero sem agressividade;
É ser humilde sem relaxamento;
É ser cordial sem fingimento;
É ser simples com sobriedade;
É ter capacidade de perdoar, sem fazer alarde;
É superar dificuldades com fé e coragem;
É saber desarmar a violência com mansuetude e alcançar a vitória, sem se vangloriar.
Enfim, elegância de comportamento não é algo que alguém tem, é algo que alguém é.
Mais do que decorar regras de etiqueta e elaborar gestos ensaiados, é preciso desenvolver a verdadeira elegância de comportamento.
Importante que cada gesto seja sincero, que cada atitude tenha sobriedade. A verdadeira elegância é a do caráter, porque procede da essência do ser”.

domingo, 8 de agosto de 2010

Circuito de Corrida e Caminhada da Longevidade

Neste domingo, 01 de agosto, aconteceu, em Presidente Prudente, mais uma etapa do Circuito de Corrida e Caminhada da Longevidade,a Bradesco Seguros realiza o circuito em grandes cidades do Brasil, capital como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre, e tem incluído Presidente Prudente, que contou com 3000 inscrições no total, entre caminhada e corrida.
Com uma manhã ensolarada e temperatura agradável, a caminhada de 3 Km iniciou às 9:15h, com saída do Centro Olímpico, contornando o Parque do Povo. O evento, além de contribuir para a preparação de atletas para as olimpíadas, de alertar para os cuidados que todos devem ter com a saúde, colaborou com a Aprev- Associação Prudente Recuperando Vidas - , revertendo a renda arrecadada com as inscrições para a instituição.
Compareceram, para a caminhada, alguns cadeirantes, a convite de Douglas Kato, que vem trabalhando com afinco, para a acessibilidade e inclusão da pessoa com deficiência. O departamento do Bradesco o procurou, solicitando-lhe que entrasse em contado com alguns amigos cadeirantes, para fazerem a inscrição.
Como sempre, encontros como esses, onde a diversidade está presente e acontece total respeito para com as diferenças, em que é possível ensinarmos e aprendermos ao mesmo tempo, são de uma magnitude deliciosa!


Geração de orgulho! Eles sabem bem o que querem...

Confira as próximas etapas:
15/08 Porto Alegre
29/08 São José do Rio Preto
17/10 São José dos Campos
24/10 Ribeirão Preto
21/11 Sorocaba
19/12 Rio de Janeiro

terça-feira, 22 de junho de 2010

Caravana da Inclusão

Estamos vivendo, talvez, o melhor instante do movimento de inclusão das pessoas com deficiência em todos os sentidos.
No ultimo dia 12 de junho, contamos, aqui, em nossa cidade de Presidente Prudente-SP, no Centro Cultural Matarazzo, com a “Caravana da Inclusão, Acessibilidade e Cidadania”, idealizada pela secretária, doutora em fisiatria, Linamara Rizzo Batistella - Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência e da Uvesp – União dos vereadores do Estado de São Paulo - e conta com o apoio dos poderes municipais.
O prefeito Tupã pediu o apoio das autoridades presentes, para que as ações governamentais em favor do município sejam uma realidade, a fim de que possa ampliar o atendimento às pessoas com deficiência. A intenção é derrubar as barreiras e o preconceito contra os mesmos.
O vereador Douglas Kato (PV), que é cadeirante, entende, muito melhor, a necessidade e a urgência da aplicação da lei da acessibilidade. Por esta razão, vem trabalhando muito, para que essa prática seja aplicada, e acredita que esse evento, além da troca de experiência entre os presentes e novos contatos, vem fortalecer o trabalho da inclusão dentro do município.
Num bate-papo informal, no final do evento, com Luis Mário – diretor da Uvesp - , fiquei entusiasmada com a motivação que me passou diante de tal trabalho, dizendo que o momento é de união de todos e que devemos formar uma corrente em busca de um objetivo concreto, sempre tendo, em mente, que as leis existem e estão aí para ser cumpridas. E que este é um papel de todos, deficientes ou não, pois se trata de uma batalha em busca da cidadania e do exercício de nossos direitos e deveres com plenitude e igualdade
.

Douglas Kato(vereador de Pres. Prudente)
Luis Mário (Diretor Uvesp)

Psiu(vereador de Stª Cruz do Rio Pardo e atleta) e Ronilson(vereador de Teodoro Sampaio e diretor da Uvesp)

A próxima caravana acontecerá em Santos-SP.
Data: 26 de Junho - Sábado
Local da Caravana: UNIP
Endereço: Avenida Rangel Pestana nº147 (próximo ao CET) – Vila Mathias
Horário: 9h
Inscrições no local, gratuitamente, para toda a população
Mais informações, favor entrar em contato com a assessoria de comunicação da UVESP, pelos telefones (11) 3884.6746 / 3884.6661 ou pelo site www.uvesp.com.br ou ainda pelo hotsite http://www.caravana.campanhadigital.net.br/

terça-feira, 1 de junho de 2010

O exercício da maior de todas as artes!

Recebi um e-mail estranho, preconceituoso. Infelizmente, a pessoa não se apresentou de forma a conversarmos em tempo real.Tenho uma página em um site de relacionamento (Orkut), onde falo um pouco de mim.
Mas a pessoa ficou muito incomodada, dizendo-me que não cito que sou “portadora de deficiência”, para, em seguida, indagar-me se me envergonho disto.
Estranhei, muito, tal incômodo e má informação da parte dela, pois escrevo textos que são divulgados, falando só deste universo. Acho que ela não deve ter pesquisado a respeito.
Pois bem, não sou “portadora de deficiência”. Se fosse, certamente não a portaria mais, deixá-la-ia em casa e a esqueceria num canto qualquer.
Portadora sou do meu RG, CPF, enfim...
Sou uma pessoa com sonhos e planos. Tenho uma deficiência física, causada pela paralisia cerebral, que afetou minha coordenação motora, necessito de auxílio para algumas atividades físicas e, há dois anos e meio, tornei-me cadeirante.
Sou universitária, curso comunicação social. Para chegar até aqui, foram anos de muita luta, renúncias, privações. Amadureci mais cedo que as outras crianças e adolescentes, porque minha realidade era outra, era de compromissos nada convencionais para uma pessoa daquela idade. Acordava logo de manhãzinha, já com uma fisioterapeuta em casa, para fazer exercícios físicos. No período da tarde, uma terapeuta ocupacional e, duas horas depois, outra fisioterapeuta. Durante tres vezes na semana, natação e equoterapia. E, aos cinco anos de idade já incluía sessões de psicomotricidade (que foi o que possibilitou minha escrita, ainda que devagar, e a melhora em meus movimentos finos). Muitas viagens para consultas com profissionais reconhecidos internacionalmente, em instituições de reabilitação... incluindo uma cirurgia de alongamento dos tendões o que me obrigou a ficar com gesso dos pés até as coxas e uma trava entre os tornozelos, durante seis meses.
Ainda aos cinco anos, já conheci o preconceito e a rejeição em algumas situações, como escola (como pode perceber, não me destruiu).
Na fase da adolescência, comecei a cursar inglês, técnica vocal, teclado e Kumon. Mas tive que fazer a escolha, pois meu tempo não me permitia realizar todas essas atividades, porque meus tratamentos eram prioridade, prevalecia o que era melhor para minha condição física. Tudo foi feito no momento em que eu precisava. Desse modo, se tenho meus movimentos - ainda que limitados - e se não tenho uma deformidade maior, é devido a esse esforço e, claro, amor, dedicação e união incondicional da minha família, porque isto tudo custou dinheiro, meus pais investiram em mim em todas as circunstâncias, renunciaram a muitas coisas também. Mas sei que, um dia, serão recompensados, porque foi Deus quem os orientou, abençoou e direcionou para este caminho.
Por meio deste site de relacionamento e publicação dos meus textos, conheci muitas pessoas com deficiência; muitas não tiveram a mesma sorte que eu em alguns aspectos, alguns por morarem distante, sem os mesmos recursos.
Entretanto, em longas conversas, acabei ajudando-as, de alguma forma, a mudarem a visão que tinham, de modo que acabaram estimuladas a mudanças...
Então, a resposta para sua pergunta é: não me envergonho do que sou, não me aprisiono à minha deficiência, não canalizo meus pensamentos em meus limites, afinal o pensamento liberta o corpo!
Mas saiba que minha deficiência me proporcionou uma lição: a descoberta do imenso potencial humano, da valentia e do destemor, com que devemos manter a luz acesa, o espírito aberto e criativo, bem como o exercício da maior de todas as artes, que consiste em viver com dignidade!
Se, naquela apresentação, não comentei sobre isto, foi porque não sou a deficiência, sou Camila Mancini.