terça-feira, 27 de abril de 2010

Preconceito. Uma praga que denigre a espécie humana

Bom, como nem todos sabem, sou cadeirante há dois anos, tenho paralisia cerebral, que afetou minha coordenação motora. Estou com 21 anos, cursando Comunicação Social, porém, para chegar à universidade. Não foi fácil! Além de ter que superar minhas dificuldades e limitações, ainda tive que enfrentar uma grave “praga” que insiste em existir na cabeça e nas atitudes de muitos “seres humanos” desinformados, chamada preconceito.
Conheci esse tal preconceito aos 5 anos, quando meu sonho era estudar num colégio evangélico (inclusive da religião que sigo), mas não me aceitaram lá, simplesmente porque eu iria precisar de alguém, para me ajudar na locomoção, e meus pais sempre se dispuseram a ajudar ou deixar minha babá lá na sala de espera, para me ajudar nesses momentos. Mesmo assim, disseram-lhes não.
Então fui para um colégio que me recebeu muito bem e que, infelizmente, hoje não existe mais. Mas eram bem preparados para tratar as diferenças com o devido respeito (não tinha ligação religiosa), e, infelizmente, só funcionava como jardim e pré.
Bom, para resumir, como eu gostava, muito, da minha igreja, de sua doutrina, tentei estudar lá, em todas as fases da minha vida, que foram do jardim ao ensino médio. Mas tudo em vão, pois, a cada época, era uma desculpa.
Na quinta série, tentamos um outro colégio, que também tem certa ligação religiosa. E esse foi mais cruel, porque, lá, era e é adaptado, sem degraus, com rampas onde necessário, inclusive com o símbolo de acessibilidade.
Segui em frente, administrando cada ”não” recebido e fazendo deles um degrau, no meu caso (rampa), para minha subida e realização pessoal.
Passei a escrever e, em meus textos, incansavelmente digo que meu sonho é que a geração que vier depois de mim não tenha que travar uma “luta”, para exercer seus direitos de cidadãos.
Pois bem, 21 anos se passaram, estamos vendo, aí, campanhas para inclusão, para acessibilidade, até novela inserindo personagem com deficiência estamos tendo.
Infelizmente, nesta semana, fiquei sabendo de um caso que me deixou extremamente triste, revoltada e com muita raiva... Uma criança de 4 anos, viveu exatamente o que vivi, há 16 anos, na mesma escola que exibe o símbolo da acessibilidade. Essa escola esconde, atrás de uma máscara, um lado cruel, arrogante, ignorante e ruim. Daniela Mendes Alves, mãe do pequeno Pedro Lucas, me contou, num desabafo angustiante, que seu filho não teve o direito de frequentar a escola. Mesmo ele tendo feito uns dias de adaptação e sendo aprovado pela professora, não foi aceito, simplesmente porque é cadeirante.
Seus diretores usaram de muitas desculpas, até mesmo dizendo que alguns pais de alunos os questionaram sobre a presença de um deficiente físico no grupo, com seus filhos. E finalmente que eles não estavam preparados para recebê-lo.
“O fato final, para não aceitá-lo, foi realmente ele ser cadeirante e precisar de ajuda de uma pessoa em determinadas ocasiões, alegando que, se ele melhorasse um dia, poderíamos voltar lá, para matriculá-lo, e que eles não estavam preparados para receber alguém como ele. Isto tudo, sabendo que a situação dele não era de melhora, e, sim, de adaptação, porque ele é cadeirante. Independente de conseguir, um dia, andar pequenas distâncias, ele nunca será uma criança ou um adulto totalmente independente, o que foi colocado, desde o início, pra eles. Na verdade, foi a mesma coisa que dizer: seu filho não é normal, na minha escola só estudam crianças normais, que me deem lucro absoluto”, desabafa Daniela.
Não bastasse esta decepção, há duas semanas, Daniela, seu marido e Pedro estavam num shopping e ele, como qualquer outra criança, estava brincando, “correndo”, e, para surpresa de todos, chegou um segurança, solicitando(exigindo) que seus pais o fizessem parar de "correr", de brincar, que era para ele ficar quieto e parado ao lado deles, porque ele poderia machucar-se e machucar alguém, como se a cadeira dele fosse uma arma, e não as suas pernas.
A decepção foi grande e angústia causada na alma desses pais foi desumana.
Não podemos deixar isto se estender por mais tempo. Acredito que vamos conseguir mudar as coisas, primeiramente saindo das tocas, infelizmente tendo, ainda, que quebrar barreiras, superar nossos próprios limites, impondo, assim, nossa presença em todos os lugares. Com efeito, só assim, faremos valer nossos direitos; mostraremos a essa sociedade hipócrita e preconceituosa, a nossos governantes que existimos, que somos trabalhadores, estudantes, contribuintes, como qualquer outro ser humano.
Que possamos unir-nos numa só voz e objetivo, para que os outros que vierem depois de nós tenham mais facilidade para os estudos, trabalho, lazer. Enfim, que vivam de uma forma mais natural, descomplicada, que tenham só e exclusivamente que superar os limites da deficiência, sem ter que sofrer e clamar, incessantemente, por um direito constituído,que é a tão falada, discutida e almejada acessibilidade, inclusão social e o respeito a esses direitos...

sábado, 3 de abril de 2010

Na minha cadeira ou na tua?

Numa de minhas navegações pela internet, em 2008, procurando por profissionais com deficiência na área de comunicação, encontrei Juliana Carvalho, apresentadora do programa Faça a Diferença , da TV Assembleia. Canal 16, NET, que promove os direitos humanos e o respeito à diversidade, Juliana estava pensando em fazer um quadro para o Faça a Diferença que abordasse, de forma leve, as agruras do dia-a-dia das pessoas com deficiência.
Apresentei-lhe um projeto do qual ela gostou e, em reunião com sua equipe, foi aprovado e hoje faz parte de seu programa com uma vinheta em um de seus quadros.
Mas não é dessa parceria que quero falar hoje...
Quero falar um pouco dessa “Mulher-Menina”, Juliana Carvalho, que é um encanto, profissional maravilhosa, acompanhada do que acredito ser imprescindível numa pessoa, principalmente em profissionais formadores de opinião: a ética.
Ju,28 anos, mora em Porto Alegre-RS, é publicitária. Cadeirante desde os 19 anos, quando teve uma inflamação na medula, não deixou essa limitação física impedi-la de viver da forma que deseja, que lhe faça feliz!
Tive a oportunidade de ficar hospedada em sua casa, em 2008, e é uma delícia a convivência com ela.
Em dezembro de 2009, fomos a SP, numa passeata a favor da acessibilidade. No dia seguinte, combinamos ir ao MASP.
Se atrasou um pouco, foi de metrô, sozinha, desafiando os obstáculos impostos na gigante metrópole.
Chegou radiante, por ter conseguido essa façanha!
Passamos a tarde juntas e mais um casal de amigos dela, que amei muito conhecer também. À noite, fomos a uma choperia e lá ficamos por longas horas. Encanta-me a energia positiva que ela nos passa, o astral, a doçura acompanhada de uma postura firme e bem resolvida diante da vida.
Como não podia deixar de ser, Ju escreveu um livro, onde relata momentos importantes de sua vida, numa mistura de lutas e realizações. Não foi fácil, quem a conhece sabe que, por muito tempo, batalhou bastante, para conseguir a sua publicação. Mas é claro que o conseguiu (ela não adota a “o impossível” em seu vocabulário). São relatos importantes e que vão cooperar para a edificação de muitos.
E ainda teremos a oportunidade de conhecer um pouco mais dessa guria fantástica, que encanta e nos prende a atenção por longas horas.
Além do programa que apresenta o Faça a Diferença, Juliana mantém os blogs “Comédias da Vida Aleijada” e “Sem Barreiras”, esse do Grupo RBS, que aborda questões sobre acessibilidade e inclusão. Dirigiu o curta-metragem “O que os olhos não veem as pernas não sentem”, premiado pelo Júri Popular do Festival Claro Curtas de Cinema. E, agora, o seu primeiro livro: Na minha cadeira ou na Tua?
Parabéns, Juliana, pela conquista de mais um sonho e principalmente pelo exemplo de determinação, que é digno de aplausos!


Lançamentos "Na minha cadeira ou na tua?"



RJ - 08/04
Livraria da Travessa
Shopping Leblon

SP - 12/04
LIVRARIA CULTURA - CONJUNTO NACIONAL

BH - 15/04
Biblioteca pública estadual Luiz de Bessa

POA - 22/04
LIVRARIA CULTURA - BOURBON SHOPPING COUNTRY

Brasilía - 27/04
LIVRARIA CULTURA - CASAPARK SHOPPING CENTER

terça-feira, 23 de março de 2010

Amor e Respeito às Diferenças!

A chegada foi agradável, tudo é vida, imponentes e luxuosas árvores, formam o pequenino bosque; a sinfonia dos pássaros habitantes, perfeita aos ouvidos de almas viventes; perfumes misturam-se ao colorido do jardim. Madres tais quais anjos, em suas vestes alvas como a neve, nos dão as boas vindas!
Essa overdose de paz e tranqüilidade aos poucos cede lugar à curiosidade frente ao desconhecido. Ao adentrar os corredores frios, ladeados de portas entreabertas, os olhos assustados e curiosos alcançam leitos ocupados por seres fragilizados. Seguimos em frente, sedentos de novas descobertas. Chegamos a um dos cômodos mais esperado, onde seus moradores passam uma boa parte do tempo; uma sala, muitas cadeiras, imagens sacras por todos os cantos e uma TV, onde vêem o que acontece no lado de fora. O impacto do momento diante daquela cena (de homens contidos, com olhar vagante, em seu canto, só nos observando) foi quebrado por uma voz fraca, porém expressiva, recepcionando-nos com delicadeza e elegância nas palavras. João , orgulhoso, exibe um quadro na parede - Prêmio Dignidade 2004 - contendo seu nome, narrando as fases de sua vida, com riquezas de detalhes, nos surpreendeu, ao contar-nos que trabalhou, por alguns anos, na construção de nossa universidade. Com orgulho, comenta do sucesso e realização de seus filhos e netos, uma mente que se contrapõe a um corpo marcado pelo tempo, nos prende a atenção por quase uma hora. A vontade de ficar é imensa, mas a busca por desbravar, minuciosamente, aquele local era necessária. A volta pelos corredores nos levara a outros moradores que se aproximavam em busca de um gesto de carinho e de atenção...




Chegando ao lado oposto, um ambiente de paredes rosadas, flores e muita doçura, um certo romantismo pairando no ar, habitando, ali, rostos angelicais, remetendo-nos, imediatamente, à lembrança do acolhimento materno, sim, elas, as mulheres, por mais frágeis que pareçam ser. Pelas décadas já vividas, são capazes de nos encantar e enxergar a bela face do envelhecimento, a sabedoria!
Na sala onde ficam as senhoras que necessitam de um cuidado maior, por suas dificuldades de locomoção, algumas se destacam por algum motivo natural de sua personalidade; algumas carinhosas, outras curiosas e até dengosas, felizes com nossa presença. Enquanto conversava com Elza, uma senhora recheada de carinho e anseio em distribuí-lo, percebi o olhar fixo e rígido de uma senhora introspectiva e observadora. Aproximei-me, cumprimentei-a. Foi o suficiente, para desaparecer-lhe aquela imagem sisuda e nela brotar um sorriso discreto, porém pleno dessa senhora. Logo ao fundo da sala, na ponta de uma grande mesa, alguém diz algo que não entendemos. Ela, de olhos puxadinhos, uma oriental, se comunicando em sua língua, mas, pelo gesto, entendemos o que ela desejava, o que foi confirmado pela enfermeira, que permanece na sala. Ela queria falar e segurar a mão do meu amigo, que, gentilmente e num gesto de muito carinho, lhe retribuiu. E um fato bonitinho ocorreu no momento em que foi disparada uma luz, o flash da minha câmera, para registro da cena tão encantadora. Ela, num jeitinho meigo e dengoso, fez manha, esfregando as mãos nos olhos e dizendo ai ai ai (como uma criança que faz dengo, para receber carinho), arrancando sorrisos de todas as que estavam ali.


Saindo Dali, deparamo-nos com outra senhorinha, que achou muita graça, ao me ver numa cadeira de rodas, brotando de seu íntimo uma gargalhada que, talvez, há muito não se ouvia, mostrando, em seu pensamento, que cadeira de rodas era somente para os idosos.
Passando pelos corredores com portas adornadas de flores, o encantamento era maior a cada encontro, com uma agradável sala de terapia ocupacional com paredes revestidas de sentimento. O momento foi mágico, duas senhoras, com trabalhos distintos, porém magníficos, dona Aurora exprimia, no papel, a suavidade de seu interior. E Madá não emite palavras, mas a doçura de seu sorriso e olhar, noz faz entender as palavras contidas no íntimo de sua alma. Sobre a mesa, tecido com retalhos, um a um, com a sincronia perfeita na combinação das cores, um lindo tapete, que, no mês de dezembro, é acrescentado a outros trabalhos, e realizado um bazar beneficente. Quando registrada nossa imagem e mostrada e ela, a reação de surpresa e gargalhada nos fez perceber que, há tempos, não era retratada numa foto.


Cozinha organizada, pátios, quartos e corredores mostram o carinho que ali é plantado e cultivado.
Mas também encontramos olhares tristes, perdidos no vazio da solidão que invade o coração e o pensamento de cada um, demonstrando um desejo enorme de estar no seio da família, o que é angustiante.
Passei a semana com o pensamento voltado para eles, em seus pensamentos, com vontade de voltar e me solidarizar com cada ser ali presente.


Como lição, fica que nós jovens temos que valorizar cada minuto com nossa família, nossos avós principalmente, que a essência da vida é o AMOR e RESPEITO às DIFERENÇAS!!

segunda-feira, 15 de março de 2010

Universo Mulher!


Numa realização do Governo do estado paraibano, por meio do Programa Estadual de Políticas para Mulheres, em parceria com Prefeituras municipais e organizações sociais, o “Universo Mulher” contou com apresentações artísticas e atividades de promoção à saúde e prevenção de doenças.

Com o objetivo de defender a diversidade cultural e social, a iniciativa reuniu ciganas, negras, índias e pertencentes a grupos, como quilombolas e adeptas do estilo gótico, policiais e teve, como convidadas, mulheres com deficiência física, que integram a Agência de Modelos para Pessoas com Deficiencia- Kica de Castro- SP, para desfilarem com roupas e acessórios de estilistas e artesãos paraibanos.

Quando Kica voltou da reunião realizada em janeiro último, para a seleção de mulheres em João Pessoa, comentou que estava encantada e satisfeita com a organização e a estrutura montada para a realização desse evento. Chegando lá, entendi o porquê de seu encantamento. A receptividade foi indescritível, bem como a organização, a atenção para conosco, desde o hotel até o centro cultural. Os artesãos, estilistas, organizadores se esforçaram, para que tudo saísse com perfeição, em respeito aos convidados e ao público presente.

Foi uma escolha feliz dos organizadores a inserção de todas as classes, crenças e estilos físicos de mulheres.

Cada vez mais caminhamos, para que essa inclusão seja realizada, aceita e respeitada. E continuo sonhando com o dia em que não teremos mais que lutar por ela, que seja naturalmente aplicada à sociedade.

Em nome de todas as meninas da Agência de Kica de Castro, quero agradecer aos organizadores e a todo o povo paraibano pela receptividade, o respeito e a simpatia que nos dispensaram.


Obrigada!

sexta-feira, 5 de março de 2010

Dia Internacional da Mulher em João Pessoa



O Governo do Estado da Paraiba, por meio do Programa Estadual de Políticas para mulheres(PEPM), em parceria com Prefeituras municipais e organizações sociais, realizará o I Círculo de Arte e Cultura. O evento acontecerá em João Pessoa-PB,de 06 a 08 de março, no Espaço Cultural e integra a programação comemorativa do Dia Internacional da Mulher.
A convite dos organizadores, Kica de Castro, que dirige a Agência de Modelos para Pessoas com Deficiência (SP), esteve, no dia 29 de janeiro último, no estado paraibano, para uma reunião no Centro Integrado de Apoio ao Portador de Deficiência (Funad), para selecionar mulheres que participarão do evento. Estarão presentes algumas de suas modelos. Haverá, também, uma exposição de fotografias de modelos já contratadas pela sua agência e de algumas paraibanas convidadas por ela durante sua visita.
“Voltei encantada e muito satisfeita com a organização, empenho e respeito dos organizadores do evento. É mais uma forma real de se abrir espaço para as pessoas com deficiência, mostrando à sociedade que beleza, talento e inteligência não dependem de um “físico perfeito”. Tenho modelos lindas, que estudam, trabalham e enfrentam os desafios da deficiência com maestria. São meu orgulho”, comenta.

Bom, pessoal, eu também estarei presente nesse evento e voltarei com todas as novidades que vir por lá.
Gostaria de dizer que me sinto muito honrada em trabalhar para a agência, porque Kica insere todos em seu casting e os valoriza, adequando-os a cada trabalho que lhe é solicitado, não age da forma que lhe convém, pensa no coletivo. Afinal,inclusão é isto.

Até a volta!
Dias felizes!

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Hardcoresitting

O esporte radical adaptado(uma espécie de skate,adaptado para cadeirantes) foi criado em Las Vegas, Cálifórnia, por Aaron Fotheringham,17 anos, com lesão medular e que usa cadeira de rodas. Filho de skatistas, que desde cedo, apresentaram os ralfs ao garoto. Ele acompanhava o irmão à pista de BMX (Bike Freestyle). Algum tempo depois, Aaron resolveu dropar da rampa, gostou, uma ousadia que deu certo. As imagens correram o mundo pela internet, espalhando, assim, o esporte.
Pablo Moya, psicólogo desportivo, dirige a equipe de basquete sobre rodas de São José dos Campos-SP, conheceu o esporte na Califórnia e resolveu trazê-lo para o Brasil, contando, hoje, com 3 atletas:
Adriel Silva, 17 anos, com Paralisia Cerebral;
Fernando Mendes, 26 anos, com Lesão Medular;
Carlos, 15 anos, com Lesão Medular.
Por ser um esporte novo no Brasil, é pouco conhecido. Ainda não houve competições. Por enquanto, realizam apresentações em várias cidades do Brasil, a exemplo de São José dos Campos, na edição do Ação Juventude. No dia 6 de fevereiro, foram uma das principais atrações, causaram grande entusiasmo aos participantes do evento no Poliesportivo da Vila Tesouro, fazendo com que a Assessoria de Políticas para Pessoas com Deficiência(APDE) estude a possibilidade de inserir o hardcore sitting em outras edições do Ação.
Já está em desenvolvimento uma cadeira apropriada, pois as usadas, atualmente, são adaptadas para certas funções, como, corrimão etc...
A equipe está em busca de patrocínio para o ano de 2010, o que poderá fomentar o esporte, trazendo mais atletas e, futuramente, passar de apresentações para torneios e campeonato brasileiro.
Para Fernando Mendes Junior, este esporte é mais uma forma de incluir a pessoa com deficiência e mostrar que seus limites São totalmente superáveis, quando se tem coragem, determinação e persistência. “Seu intuito, como um todo, com certeza é a superação; mostrar que não há limites, é vencer as barreiras do preconceito que nos cerca todos os dias e que há muito a ser vivido, mesmo depois de uma lesão”
Adriel, Fernando(descendo a rampa) e Carlos

Adriel

Adriel

Adriel, Carlos e Fernando Mendes Junior

Contato:
Pablo Moya Ruiz de Abreu: pablo.moya@terra.com.br
Maria Carolina Kobylanski: carolkobylanski@hotmail.com
Adriel Silva: adrielsilva22@gmail.com
Carlos: juninhu_eumesmo@hotmail.com
Fernando Mendes: fer.ador.ador@hotmail.com

domingo, 17 de janeiro de 2010

Viver a Vida... Luciana volta a ser Top !

Após acidente, Luciana (de Viver a vida, novela da Rede Globo), que ficou tetraplégica, posa para as câmeras de Ingrid.(capítulo que vai ao ar, nesta segunda-feira 18), a ajuda da enfermeira é fundamental. Sem ela, para posicionar Luciana durante o ensaio, a sessão não seria possível. Mas o resultado é belíssimo.
Mesmo na cadeira de rodas (que Luciana temia que pudesse tirar a beleza das fotos), a modelo arrasa.
Aliás, sua profissão faz toda a diferença. Luciana, mesmo que guiada por Ingrid durante os cliques, ajudando-a a explorar seus melhores ângulos, tirou as fotos, que ficaram excelentes.
No fim, Ingrid e suas assistentes ficaram lisonjeadas, por poderem realizar trabalho tão bacana com a modelo. Miguel completa, meio de brincadeira, meio sério: “Não sabia o que era fotografar uma top”.
Fonte http://viveravida.globo.com/Novela/Viveravida/Fiquepordentro/0,,AA1707784-17526,00.html


Foto TV Globo/Divulgação

Neste caso, aquela clássica frase de que a “Arte imita a vida” se aplica muito bem, pois, há 7 anos, a fotógrafa e publicitária, Kica de Castro, vem desenvolvendo o mesmo trabalho, que, em seu início, teve o mesmo objetivo retratado pela novela: resgatar a auto- estima das pessoas com deficiência(chamou isso de Fototerapia), principalmente das mulheres, que se preocupam mais com a estética, em manter-se bonitas e sensuais. Com o passar do tempo, esse trabalho ultrapassou as fronteiras da terapia física e mental e ganhou essência profissional. Nessa atitude de ousada inovação, abriu as estreitas portas do estigmatizado e padronizado mundo fashion, para que deficientes físicos pudessem mostrar a todos e provar para si mesmos que possuem e podem, sim, exibir seus talentos em toda e qualquer área, incluindo o mundo da moda . Prova disto é que a ideia de Kica de Castro saiu dos limites do estúdio , para ganhar amplitude nas passarelas, com diversos convites para desfiles em São Paulo e outros estados, como Goiânia, MG e PR... .Além da importância profissional na vida de cada modelo, um outro papel fundamental desses eventos é o de ampliar a visão do que é e como é realizar a verdadeira inclusão, já que muitos não são direcionados somente para pessoas com deficiência física, como num desfile realizado em São Paulo, onde uma modelo amputada de uma perna desfilou de forma exuberante e tão igual, junto às outras modelos sem deficiência, arrancando aplausos calorosos de todos os presentes.
Espero que Luciana avance em suas perspectivas e que, assim como no caso da vida real, deixe de ser algo somente para melhorar sua auto-estima e se torne seu trabalho, para mostrar ao grande público e, até mesmo, para muitos deficientes que estejam passando pela mesma situação, que é possível ser feliz e realizar seus sonhos profissionais e pessoais, mesmo estando numa cadeira de rodas. Basta entendermos que a cadeira, para nós, não é prisão, e, sim, uma forma de liberdade e autonomia para nossa nova condição de vida.
O que nos aprisiona, realmente, é a forma como canalizamos os pensamentos em nossos limites, afinal o pensamento liberta o corpo!

Conheça algumas "Lucianas" da vida real:



Caroline Marques, 29 anos - paraplégica
" Todos veem a mulher que sou, a cadeira é apenas um detalhe."
Modelo fotográfico e de passarela.

Patricia Lopes,25 anos - paraplégica
"Tinha tudo marcado para começar a ser modelo,
aí veio
o acidente. Pensei que nunca mais iria realizar esse sonho."


Carina Queiroz, 30 anos - paraplégica
“Estar de bem com a vida, é saber aceitar o corpo
do jeito que é e entender que mesmo numa cadeira de
rodas posso ser uma mulher bonita, uma mulher sensual”

Camila Mancini, 20 anos, Paralisia Cerebral- quadriplégica.
“Quando fiz as fotos, como toda mulher retratada por um profissional,
senti-me mais bonita, descobrindo formas de posar de maneira não
convencional, quando se pensa numa cadeirante.”

Diolice da Silva Barbosa, 21 anos, tetraplégica.
" Por ser tetraplégica, achava que a proposta de ser
modelo era loucura. Quando fiz as fotos, descobri que
posso dar ao meu corpo os movimentos que eu quiser.
Agora nada me impede de ser modelo

Jack Brisse, 29 anos - lesão medular
"Acima de tudo, sou uma bela mulher!"

Eliane Santos, 30 anos, Bahia
“ Ser fotografada por Kica era meu sonho, viajei da Bahia até São Paulo,
seguindo mais de 600 km, até a cidade de Presidente Prudente, onde
ocorreu o Caça Talentos”, uma busca de novos modelos para o casting
de sua agência. Valeu a pena correr atrás de meu sonho, já estou colhendo os frutos.”


Alguns trabalhos publicitários:


Haonê Thinar, Dudé e Flavia