sábado, 18 de setembro de 2010

O amor faz a diferença

Ultimamente, temos convivido com muitas notícias terríveis, carregadas de barbárie. E o mais assustador é que alguns dos muitos casos são cometidos pelos próprios pais. A pessoa que deveria ser a imagem de proteção e segurança para uma criança comete crimes aterrorizantes, com requintes de crueldade, contra esses seres indefesos.
Tamanho é o bombardeio diário da mídia em cima dessas notícias, que nos acabamos adaptando a elas e aprendendo a conviver com certa naturalidade e até de maneira alienada.
Fico-me perguntando: Onde está e em que momento se perdeu o “amor natural” que serviria como referência entre os sentimentos mais nobres, dentre todas as formas de amor incondicional?
São perguntas que se calam dentro de mim, sem respostas ou pelo menos que cheguem perto de alguma razão aparente, dentro dos delírios da mente humana, que justifiquem tamanha loucura.
Foi num desses meus questionamentos que acabei me deparando com a história de Dick e Rick Hoyt, que hoje divido com você e que, em meio a esse lamaçal, vem provar, mais uma vez, que, enquanto alguns cometem atos de extrema crueldade e desumanidade, outros se dedicam, de forma visceral, aos mesmos, fazendo-nos crer no caráter humano e em atos de amor, que justificam a razão de sermos chamados de GENTE!!!!
O texto original foi publicado em inglês na Sports Illustrated e é de autoria de Rick Reilly.
O pai mais forte do mundo
Oitenta e cinco vezes Dick Hoyt empurrou seu filho deficiente, Rick, por 42 quilômetros em maratonas. Oitenta vezes ele não só empurrou seu filho os 42 quilômetros em uma cadeira de rodas, mas também o rebocou por quatro quilômetros em um barquinho enquanto nadava e pedalou 180 quilômetros com ele sentado em um banco no guidão da bicicleta tudo isso em um mesmo dia.
Dick também o levou em corridas de esqui, escalou montanhas com ele às costas e chegou a atravessar os Estados Unidos rebocando-o com uma bicicleta. E o que Rick fez por seu pai? Não muito exceto salvar sua vida.
Esta história de amor começou em Winchester, nos EUA, há 43 anos quando Rick foi estrangulado pelo cordão umbilical durante o parto, ficando com uma lesão cerebral e incapacitado de controlar os membros do corpo.
-Ele irá vegetar pelo resto da vida - disse o médico para Dick e sua esposa Judy quando Rick tinha nove meses.
- Vocês devem interná-lo em uma instituição.
Mas o casal não acreditou. Eles repararam como os olhos de Rick seguiam os dois pelo quarto. Quando Rick fez 11 anos eles o levaram ao departamento de engenharia da Tufts University e perguntaram se havia algum jeito do garoto se comunicar.
- Jeito nenhum - disseram a Dick - Seu cérebro não tem atividade alguma.
- Conte uma piada para ele - Dick desafiou. Eles contaram e Rick riu. Na verdade tinha muita coisa acontecendo no cérebro de Rick.
Usando um computador adaptado para ele poder controlar o cursor tocando com a cabeça um botão no encosto de sua cadeira, Rick finalmente foi capaz de se comunicar. Primeiras palavras? "Go Bruins!", o grito da torcida dos times da Universidade da Califórnia.
Depois que um estudante ficou paralítico em um acidente e a escola decidiu organizar uma corrida para levantar fundos para ele, Rick digitou: "Papai, quero participar".
Isso mesmo. Como poderia Dick, que se considerava a si mesmo um "leitão", que nunca tinha corrido mais que um quilômetro de cada vez, empurrar seu filho por oito quilômetros? Mesmo assim ele tentou.
- Daquela vez eu fui o inválido - lembra Dick - Fiquei com dores durante duas semanas.
Aquilo mudou a vida de Rick. Ele digitou em seu computador:
- Papai, quando você corria eu me sentia como se não fosse mais portador de deficiências.
O que Rick disse mudou a vida de Dick. Ele ficou obcecado por dar a Rick essa sensação quantas vezes pudesse. Começou a se dedicar tanto para entrar em forma que ele e Rick estavam prontos para tentar a Maratona de Boston em 1979.
- Impossível! - disse um dos organizadores da corrida.
Pai e filho não eram um só corredor e também não se enquadravam na categoria dos corredores em cadeira de rodas. Durante alguns anos Dick e Rick simplesmente entraram na multidão e correram de qualquer jeito. Finalmente encontraram uma forma de entrar oficialmente na corrida: Em 1983 eles correram tanto em outra maratona que seu tempo permitia qualificá-los para participar da maratona de Boston no ano seguinte.
Depois alguém sugeriu que tentassem um Triatlon. Como poderia alguém que nunca soube nadar e não andava de bicicleta desde os seis anos de idade rebocar seu filho de 50 quilos em um triatlon? Mesmo assim Dick tentou.
Hoje ele já participou de 212 triatlons, inclusive quatro cansativos Ironmans de 15 horas no Havaí. Deve ser demais alguém nos seus 25 anos de idade ser ultrapassado por um velho rebocando um adulto em um barquinho, você não acha? Então por que Dick não competia sozinho?
- De jeito nenhum - ele diz. Dick faz isso apenas pela sensação que Rick pode ter e demonstrar com seu grande sorriso enquanto correm, nadam e pedalam juntos.
Este ano, aos 65 e 43 anos de idade respectivamente, Dick e Rick completaram a 24a. Maratona de Boston na posição 5.083 entre mais de 20 mil participantes. Seu melhor tempo? Duas horas e 40 minutos em 1992, apenas 35 minutos mais que o recorde mundial que, caso você não saiba, foi batido por um homem que não empurrava ninguém numa cadeira de rodas enquanto corria.
- Não há dúvida - digita Dick - Meu pai é o Pai do Século.
E Dick também ganhou algo com isso. Há dois anos ele teve um leve ataque cardíaco durante uma corrida. Os médicos descobriram que uma de suas artérias estava 95% entupida. Os médicos disseram que se ele não tivesse se dedicado para entrar em forma é provável que já teria morrido uns 15 anos antes. De certa forma Dick e Rick salvaram a vida um do outro.
Rick, que hoje tem seu próprio apartamento (ele recebe cuidados médicos) e trabalha em Boston, e Dick, que se aposentou do exército e mora em Holland, Massachussets, sempre acham um jeito de ficarem juntos. Eles fazem palestras em todo o país e participam de alguma cansativa corrida nos finais de semana.
No próximo Dia dos Pais Rick irá pagar um jantar para seu pai, mas o que ele deseja mesmo poder fazer é um presente que ninguém poderia comprar.
- Eu gostaria - digita Rick - de um dia poder empurrar meu pai na cadeira pelo menos uma vez.

Acompanhe a história em video


sexta-feira, 20 de agosto de 2010

A elegância do comportamento

Já ouvi, muito, que uma pessoa, numa cadeira de rodas, perde toda a elegância, principalmente as mulheres.
Como tenho a alma inquieta, tento entender os porquês dos acontecimentos, dos pensamentos das pessoas, principalmente se tratando talvez não de um preconceito, mas de uma má informação, de um pensamento já pré-estabelecido. Então lembrei-me de um texto de Martha Medeiros, muito bom, que mostra, de forma inteligente, que a elegância não consiste apenas em segurar um talher corretamente, vestir-se bem, andar de salto alto, mas transcende esta ideia e conceito fúteis.
Veja o texto:
A elegância do comportamento
“As pessoas geralmente se preocupam com a aparência física e se esmeram, para mostrar certa elegância, de acordo com suas possibilidades. Isto é natural do ser humano. Tanto que muitos buscam escolas que ensinam boas maneiras.
No entanto existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isto, esteja cada vez mais rara: a elegância do comportamento. É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza. É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais corriqueiras, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto - é uma elegância desobrigada. É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam. Nas pessoas que mais escutam do que falam.
E quando falam, passam longe da fofoca, das maldades ampliadas de boca em boca. É possível detectá-la, também, nas pessoas que não usam um tom superior de voz. Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores, porque não sentem prazer em humilhar os outros. É uma elegância que pode ser observada em pessoas pontuais, que respeitam o tempo dos outros e seu próprio tempo.
Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece. É quem cumpre o que promete e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte, antes, quem está falando, para, só depois, mandar dizer se está ou não.
É elegante não ficar espaçoso demais. Não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao de outro. É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais.
É elegante retribuir carinho e solidariedade. Sobrenome, cargo e joias não substituem a elegância do gesto. Não há livro de etiqueta que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo e a viver nele sem arrogância.
Podemos tentar capturar esta delicadeza natural por meio da observação, mas tentar imitá-la é improdutivo. A pessoa de comportamento elegante fala, no mesmo tom de voz, com todos os indivíduos indistintamente.
Ter comportamento elegante é ser gentil sem afetação;
É ser amigo sem conivência negativa;
É ser sincero sem agressividade;
É ser humilde sem relaxamento;
É ser cordial sem fingimento;
É ser simples com sobriedade;
É ter capacidade de perdoar, sem fazer alarde;
É superar dificuldades com fé e coragem;
É saber desarmar a violência com mansuetude e alcançar a vitória, sem se vangloriar.
Enfim, elegância de comportamento não é algo que alguém tem, é algo que alguém é.
Mais do que decorar regras de etiqueta e elaborar gestos ensaiados, é preciso desenvolver a verdadeira elegância de comportamento.
Importante que cada gesto seja sincero, que cada atitude tenha sobriedade. A verdadeira elegância é a do caráter, porque procede da essência do ser”.

domingo, 8 de agosto de 2010

Circuito de Corrida e Caminhada da Longevidade

Neste domingo, 01 de agosto, aconteceu, em Presidente Prudente, mais uma etapa do Circuito de Corrida e Caminhada da Longevidade,a Bradesco Seguros realiza o circuito em grandes cidades do Brasil, capital como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre, e tem incluído Presidente Prudente, que contou com 3000 inscrições no total, entre caminhada e corrida.
Com uma manhã ensolarada e temperatura agradável, a caminhada de 3 Km iniciou às 9:15h, com saída do Centro Olímpico, contornando o Parque do Povo. O evento, além de contribuir para a preparação de atletas para as olimpíadas, de alertar para os cuidados que todos devem ter com a saúde, colaborou com a Aprev- Associação Prudente Recuperando Vidas - , revertendo a renda arrecadada com as inscrições para a instituição.
Compareceram, para a caminhada, alguns cadeirantes, a convite de Douglas Kato, que vem trabalhando com afinco, para a acessibilidade e inclusão da pessoa com deficiência. O departamento do Bradesco o procurou, solicitando-lhe que entrasse em contado com alguns amigos cadeirantes, para fazerem a inscrição.
Como sempre, encontros como esses, onde a diversidade está presente e acontece total respeito para com as diferenças, em que é possível ensinarmos e aprendermos ao mesmo tempo, são de uma magnitude deliciosa!


Geração de orgulho! Eles sabem bem o que querem...

Confira as próximas etapas:
15/08 Porto Alegre
29/08 São José do Rio Preto
17/10 São José dos Campos
24/10 Ribeirão Preto
21/11 Sorocaba
19/12 Rio de Janeiro

terça-feira, 22 de junho de 2010

Caravana da Inclusão

Estamos vivendo, talvez, o melhor instante do movimento de inclusão das pessoas com deficiência em todos os sentidos.
No ultimo dia 12 de junho, contamos, aqui, em nossa cidade de Presidente Prudente-SP, no Centro Cultural Matarazzo, com a “Caravana da Inclusão, Acessibilidade e Cidadania”, idealizada pela secretária, doutora em fisiatria, Linamara Rizzo Batistella - Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência e da Uvesp – União dos vereadores do Estado de São Paulo - e conta com o apoio dos poderes municipais.
O prefeito Tupã pediu o apoio das autoridades presentes, para que as ações governamentais em favor do município sejam uma realidade, a fim de que possa ampliar o atendimento às pessoas com deficiência. A intenção é derrubar as barreiras e o preconceito contra os mesmos.
O vereador Douglas Kato (PV), que é cadeirante, entende, muito melhor, a necessidade e a urgência da aplicação da lei da acessibilidade. Por esta razão, vem trabalhando muito, para que essa prática seja aplicada, e acredita que esse evento, além da troca de experiência entre os presentes e novos contatos, vem fortalecer o trabalho da inclusão dentro do município.
Num bate-papo informal, no final do evento, com Luis Mário – diretor da Uvesp - , fiquei entusiasmada com a motivação que me passou diante de tal trabalho, dizendo que o momento é de união de todos e que devemos formar uma corrente em busca de um objetivo concreto, sempre tendo, em mente, que as leis existem e estão aí para ser cumpridas. E que este é um papel de todos, deficientes ou não, pois se trata de uma batalha em busca da cidadania e do exercício de nossos direitos e deveres com plenitude e igualdade
.

Douglas Kato(vereador de Pres. Prudente)
Luis Mário (Diretor Uvesp)

Psiu(vereador de Stª Cruz do Rio Pardo e atleta) e Ronilson(vereador de Teodoro Sampaio e diretor da Uvesp)

A próxima caravana acontecerá em Santos-SP.
Data: 26 de Junho - Sábado
Local da Caravana: UNIP
Endereço: Avenida Rangel Pestana nº147 (próximo ao CET) – Vila Mathias
Horário: 9h
Inscrições no local, gratuitamente, para toda a população
Mais informações, favor entrar em contato com a assessoria de comunicação da UVESP, pelos telefones (11) 3884.6746 / 3884.6661 ou pelo site www.uvesp.com.br ou ainda pelo hotsite http://www.caravana.campanhadigital.net.br/

terça-feira, 1 de junho de 2010

O exercício da maior de todas as artes!

Recebi um e-mail estranho, preconceituoso. Infelizmente, a pessoa não se apresentou de forma a conversarmos em tempo real.Tenho uma página em um site de relacionamento (Orkut), onde falo um pouco de mim.
Mas a pessoa ficou muito incomodada, dizendo-me que não cito que sou “portadora de deficiência”, para, em seguida, indagar-me se me envergonho disto.
Estranhei, muito, tal incômodo e má informação da parte dela, pois escrevo textos que são divulgados, falando só deste universo. Acho que ela não deve ter pesquisado a respeito.
Pois bem, não sou “portadora de deficiência”. Se fosse, certamente não a portaria mais, deixá-la-ia em casa e a esqueceria num canto qualquer.
Portadora sou do meu RG, CPF, enfim...
Sou uma pessoa com sonhos e planos. Tenho uma deficiência física, causada pela paralisia cerebral, que afetou minha coordenação motora, necessito de auxílio para algumas atividades físicas e, há dois anos e meio, tornei-me cadeirante.
Sou universitária, curso comunicação social. Para chegar até aqui, foram anos de muita luta, renúncias, privações. Amadureci mais cedo que as outras crianças e adolescentes, porque minha realidade era outra, era de compromissos nada convencionais para uma pessoa daquela idade. Acordava logo de manhãzinha, já com uma fisioterapeuta em casa, para fazer exercícios físicos. No período da tarde, uma terapeuta ocupacional e, duas horas depois, outra fisioterapeuta. Durante tres vezes na semana, natação e equoterapia. E, aos cinco anos de idade já incluía sessões de psicomotricidade (que foi o que possibilitou minha escrita, ainda que devagar, e a melhora em meus movimentos finos). Muitas viagens para consultas com profissionais reconhecidos internacionalmente, em instituições de reabilitação... incluindo uma cirurgia de alongamento dos tendões o que me obrigou a ficar com gesso dos pés até as coxas e uma trava entre os tornozelos, durante seis meses.
Ainda aos cinco anos, já conheci o preconceito e a rejeição em algumas situações, como escola (como pode perceber, não me destruiu).
Na fase da adolescência, comecei a cursar inglês, técnica vocal, teclado e Kumon. Mas tive que fazer a escolha, pois meu tempo não me permitia realizar todas essas atividades, porque meus tratamentos eram prioridade, prevalecia o que era melhor para minha condição física. Tudo foi feito no momento em que eu precisava. Desse modo, se tenho meus movimentos - ainda que limitados - e se não tenho uma deformidade maior, é devido a esse esforço e, claro, amor, dedicação e união incondicional da minha família, porque isto tudo custou dinheiro, meus pais investiram em mim em todas as circunstâncias, renunciaram a muitas coisas também. Mas sei que, um dia, serão recompensados, porque foi Deus quem os orientou, abençoou e direcionou para este caminho.
Por meio deste site de relacionamento e publicação dos meus textos, conheci muitas pessoas com deficiência; muitas não tiveram a mesma sorte que eu em alguns aspectos, alguns por morarem distante, sem os mesmos recursos.
Entretanto, em longas conversas, acabei ajudando-as, de alguma forma, a mudarem a visão que tinham, de modo que acabaram estimuladas a mudanças...
Então, a resposta para sua pergunta é: não me envergonho do que sou, não me aprisiono à minha deficiência, não canalizo meus pensamentos em meus limites, afinal o pensamento liberta o corpo!
Mas saiba que minha deficiência me proporcionou uma lição: a descoberta do imenso potencial humano, da valentia e do destemor, com que devemos manter a luz acesa, o espírito aberto e criativo, bem como o exercício da maior de todas as artes, que consiste em viver com dignidade!
Se, naquela apresentação, não comentei sobre isto, foi porque não sou a deficiência, sou Camila Mancini.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

"A beleza eu não sei definir"...

“Vem cara, me retrate. Não é impossível, eu não sou difícil de ler. Faça sua parte, eu sou daqui, eu não sou de Marte" (Marisa Monte - trecho da música Infinito Particular).

A estética é um assunto em evidência, sempre esteve presente na evolução da humanidade. Não é difícil encontrar essas etapas evolutivas. Veja, no tempo da pré - história, era bonito as mulheres terem excesso de pêlos por todo o corpo. Imagine, hoje, ficar um mês sem fazer depilação, nem pensar. Outro paralelo foi o período renascentista, quando o destaque era para as mulheres mais "cheinhas". Porém essa fase sofreu total alteração na década de 60, os padrões estéticos mudaram radicalmente, porquanto ser magro passou a ser primordial para a aceitação no mundo da moda. Atualmente, essa visão tem sido levada ao extremo, por vezes até cruel, quando meninas, tão jovens e belas, sofrem com a angústia de ter o corpo dentro dos “padrões” exigidos. Ser parecido com um esqueleto se tornou referência de beleza para muitos.
Com tanta tecnologia à disposição, não há uma capa de revista de moda que não tenha usado os famosos tratamentos de imagem. Com essa manipulação digital, acabam criando um biotipo de ser humano inexistente. Na maioria das vezes, não vemos nem os poros da pele. Quem não se lembra do caso de uma revista masculina que, de tantas correções, acabou deixando a modelo sem umbigo?
Essa busca incansável pela perfeição revela o lado discriminatório do mundo fashion, pois, se há essa exigência, como ampliar os horizontes de tal forma, a ponto de inserir uma pessoa com deficiência física nessa profissão?
Vemos que ainda existem muitas barreiras e preconceitos, quando falamos de pessoas com algum tipo de deficiência, como padrão de beleza e sensualidade.
Porém, para não ser injustos, devemos levar em conta as diversas campanhas que têm sido realizadas, nos últimos tempos, contra a “magreza exacerbada” de muitas modelos, adotada por alguns estilistas, de cujos desfiles as mesmas não participam, se não estiverem no peso e aparência saudável, ideal a sua estrutura física.
Ainda há muito a se fazer, mas já contamos com pessoas de mente aberta, que estão dispostas a romper, radicalmente, com o preconceito e a discriminação e a acelerar esse processo de modificação de conceitos do que é ser bonito. Para que isso ocorra, já contamos com projetos que mostram que as pessoas com deficiência física ,sim, ter sensualidade e beleza e tornar-se destaque nessa área. Para isto, já contamos com algumas inovações ousadas, como a Agência de Modelos para Pessoas com Deficiência , situada em São Paulo, que insere seus modelos em desfiles específicos e também nos mais tradicionais, junto a modelos sem nenhuma deficiência e em ensaios fotográficos, fazendo com que (cadeira de rodas, muletas, bengalas, próteses), que, até então, eram considerados elementos de invalidez, que escondiam a beleza e a sensualidade de seus usuários, se transformassem em acessórios da moda, utilizados para quebra desses conceitos.
" A beleza eu não sei definir, mas, sempre que a vejo, sei percebê-la". Esta frase de Ivo Pitanguy – Cirurgião Plástico exprime o real conceito da ideia de vermos a beleza humana como algo diversificado, misteriosamente surpreendente!

domingo, 9 de maio de 2010

AMOR DE MÃE!

Ela sempre foi uma pessoa iluminada, decidia e determinada.
Casou-se aos 22 anos, teve sua filha aos 26. O desejo que fosse do sexo feminino era grande, no ultrason, foi mostrado que o desejo do casal se realizaria, o pai, não contém suas lágrimas de felicidade e desaba ali mesmo, na sala do exame, momento inesquecível para o casal.
Começam os planos para essa criança, imaginam momentos imensuráveis , o primeiro banho, o engatinhar, os primeiros passos, a escolinha, o colégio, faculdade...A criança nasce bem, vai pra casa e começa alí uma experiência incrível, difícil e inesperada para esse casal.
A criança chora desesperadamente por dias, os médicos tentam mudar a forma de aleitamento, além do peito, inserem outros leites e nada resolve, quando aos dois meses, tentam algo diferente e passam a dar papinha para uma criança de dois meses, mesmo assim ela chora em gritos. Então é descoberto por meio de um exame doloroso, sem anestesia por ser tão bebe, descobrem que ela tem um problema sério nos rins, a mãe acompanha tudo com dor no coração, mas com a certeza de Deus lhe presenteou com o nascimento dessa filha tão esperada, que tudo ia dar certo, começa ali um tratamento sério, aos 8 meses, milagrosamente a criança está curada de um refluxo gravíssimo e que poderia ter apodrecido seus rins. No momento que começaram a relaxar, a mãe percebe que a criança tem algo diferente, ao sentar-se ela caía de ladinho, e já começou uma outra corrida contra o tempo, levaram-na em muitos médicos e não definiam o que era, alguns chegaram a dizer-lhe que era para ela se aquietar, porque sua filha não tinha nada, que não ficasse comparando com as outras, mas ela sempre seguiu a intuição de seu coração, de sua alma esqueceu esses conselhos e seguiu a procura de outros médicos, um casal que era tão inexperiente, que viveram sempre na companhia e proteção dos pais, saem pro mundo, viajando muitas capitais a procura de uma resposta, até que as tem... Num fatídico dia, ouvem que sua pequena tinha Paralisia Cerebral e que pelo fato de ela ser inteligente, talvez pudesse andar um dia, mas que nada podia afirmar naquele momento. Outra luta, corrida contra o tempo, investem tudo que tem, tanto em questões financeira, quanto emocional. Essa mulher, que tempos antes vivia a vida de forma alegre e suave, encontrava-se diante de uma situação desconhecida e triste.
Transforma esse problema em motivo e desejo de viver com mais intensidade e atingir o objetivo que traçara ao engravidar,:fazer essa criança feliz, realizada e viver todas as fases planejadas. E assim o fez!
Foram anos de treinamentos, de lágrimas de decepção, escolas, passeios, brinquedos, pessoas más, de milhares de “nãos” ouvidos mas deixados para trás... Alguns objetivos traçados não foram alcançados de forma literal, como o primeiro engatinhar, os primeiros passinhos sozinha. Mas essa mulher, com a infinita sabedoria que Deus lhe concedeu, soube criar, dar amor, preparar para a vida essa criança, que nasceu tão frágil, com tantos desafios e barreiras, a fez de outra forma, não engatinhar, mas dar seu primeiros passos, a cada dia que amanhecia e que amanhece.
Viveu esse amor tão sublime e de forma visceral, que é o amor de mãe...
No mês de abril, essa “criança” completou 21 anos e recebeu a seguinte mensagem:
“Amada Filha
Por você oramos, pedimos a Deus uma linda filha, e Ele nos presenteou com seu nascimento.
Somos realizados. Você é exatamente a filha que desejamos. É amorosa, educada, bom caráter, digna, gentil, dócil, você é uma pessoa maravilhosa! Exemplo de determinação e humildade!
Hoje você faz 21 anos e nossa vivência foi de muito aprendizado, de muito amor e respeito, de lutas e vitórias, muitas vezes de tropeços, mas tropeços para nos impulsionar a dar um salto maior para a felicidade. Tivemos momentos muito tristes, mas nos unimos na fé, esperança e oração para o Senhor Jesus nos fortalecer, andar conosco lado a lado e, muitas vezes, nos carregar em Seus braços de amor. Nestes anos todos, cada palavra, cada atitude sua, só nos enche de orgulho e é motivo de agradecimento pela sua existência. E você sabe que nossa união e amor são incondicionais.
Camila, "Todo o poder no céu e na terra reside na pessoa de Jesus Cristo. Sem Ele, ninguém pode esperar ter sucesso. Porém, com Ele, o fracasso é impossível”.
Nosso desejo é que você O tenha sempre como seu Salvador e Senhor!
Querida tenha um feliz aniversário, que Deus te proteja sempre, ilumine seu coração que é tão lindo e cheio de amor.
Um grande beijo e obrigada por existir em nossas vidas!
Seus pais que te amam muito”
Pois é, essa “criança” sou eu!!!!!
Hoje comemoramos o dia das mães, quero deixar aqui um agradecimento a Deus, pela imensa sabedoria, bondade e misericórdia, por ser infinitamente maravilhoso e conceder a nós filhos, que nascemos um “pouquinho diferentes” mulheres tão maravilhosas , corajosas e determinadas que são nossas mães.
Em especial a minha que dedicou um amor de forma assombrosamente maravilhosa, encantadora, acompanhada de tanta sabedoria que é a responsável por tudo que me compõe e me faz ser essa pessoa realizada e feliz!
Vivo minha vida com um conselho dela...”Siga teu caminho sempre com duas sacolas imaginárias, uma em cada mão, uma com fundo a outra sem.Tudo que ouvir de bom, guarde na sacola com fundo e o que não for bom, guarde-a também,mas na sacola sem fundo, assim você vai seguir sua vida deixando para trás tudo que não lhe faz bem, carregando consigo somente o que lhe edifica, que lhe faz bem e feliz!”
Obrigada Valéria Mancini, minha MÃE!
Te amo!