segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Pedras no meio do caminho

A 2ª Conferência Nacional de Juventude, que ocorreu nos dias 9 a 12 de dezembro, em Brasília (DF), foi marcada de muitos acontecimentos que envolveram a má informação a respeito dos assuntos que envolvem a pessoa com deficiência.
Na verdade, já começou pela Conferência Estadual de Juventude, no Guarujá (SP), na qual tive que pagar do próprio bolso uma pousada, pois só ofereceram alojamento em universidades sem acessibilidade.
Já na Conferência Nacional em Brasília, ocorreram alguns constrangimentos e transtornos.
Recebi o e-mail para preenchimento da ficha de inscrição que questionava se o delegado tinha deficiência e se precisava de acompanhante. Preenchi e, nos campos específicos, disse que tenho deficiência (paralisia cerebral), que sou cadeirante e precisava de acompanhante.
Dois dias depois, recebemos uma ligação de Paty Eventos solicitando o envio urgente dos dados da acompanhante, garantindo que haveria hotel com acessibilidade e assegurando que eu e minha acompanhante ficaríamos juntas. Assim o fiz. Enviei os dados imediatamente e ficamos, como todos os demais, aguardando o envio dos dados de passagens e do hotel.
No dia 7, enviaram os dados com meu nome incluído, mas sem a reserva de passagem e hospedagem para minha acompanhante.
Entrei em contato com Juliano Borges, da Assessoria de Juventude de Presidente Prudente, que ligou para a secretaria. Disseram a ele que esperasse até o dia 8 que a passagem chegaria e, se não houvesse lugar no mesmo vôo, eles cancelariam a minha passagem e comprariam as duas juntas. Isso não aconteceu. Na véspera do embarque, que seria às 10h45, eles comunicaram já no fim da tarde que não mandariam a passagem.
Ligamos para várias pessoas envolvidas na organização do evento, na Secretaria e Conselho de Juventude, e algumas dessas pessoas, com desconhecimento total sobre as necessidades das adaptações, disseram absurdos como “Manda ela vir sozinha e pedir ajuda para os colegas delegados”.
Também ouvi um “Sinto muito pelo acontecido. Não existe nada no nosso regimento que assegure o direito a acompanhante. Em nome da presidência, lhe peço desculpa pela sua não participação nessa Conferência”, entre tantos outros absurdos.
Na tentativa de não me deixar fora de uma ação tão importante para o desenvolvimento do país, onde poderíamos mudar e melhorar as condições dos jovens em todos os segmentos quer sejam na inclusão e reconhecimento do grande valor que temos. Os negros, os jovens do campo, os deficientes e toda a diversidade excluída têm muito a contribuir para esse desenvolvimento. Juliano quis pagar a passagem da minha acompanhante. Embora sua atitude demonstre amizade e cidadania, eu não aceitei. Se assim o fizesse, estaria concordando com uma situação que é colocada há anos, onde o deficiente é visto como uma pessoa que precisa e merece viver de assistencialismo. Reforço que não foi a intenção de Juliano. Eu não estaria usufruindo de um direito e as pessoas pouco informadas continuariam a proceder dessa forma.
Agradeci ao Juliano Borges, mas disse que não iria. Inconformado com a situação, Juliano, já tarde da noite, encaminhou um e-mail para Severine Macedo, secretária nacional de Juventude, que imediatamente fez valer meu direito.
No dia seguinte, às 8h45, acordei com uma ligação de Juliano, dizendo que a passagem já estava disponível no site da Conferência. Como não podia ser diferente, foi um sufoco, pois tinha desarrumado parte da mala e ainda estava dormindo. Cheguei atrasada no aeroporto, mas como o avião estava atrasado, tudo deu certo.
Chegando lá, o transporte adaptado não estava disponível. Tive que pedir ajuda para alguém me colocar no ônibus comum e minha cadeira ir no corredor. A acessibilidade no hotel e local do evento não foram encontrados pelos delegados com deficiência. No meu caso, faltou acessibilidade no banheiro para eu escovar os dentes. Minha mãe teve que colocar água no copo e eu cuspir o creme dental na toalha, pois não alcançava a pia. No local do evento, não tinha acesso até o palco onde ocorreu o show, pois havia uma escadaria enorme e os computadores estavam em mesas altas que eu não alcançava. Isso dificulta até mesmo a interação social e a tão discutida inclusão.
Reparamos que faltam olhos atentos para essas questões, que parecem mínimos detalhes que, de tão mínimos, acabam tornando-se imperceptíveis, mas que na vida de uma pessoa com deficiência fazem total diferença e garantem não somente uma participação em um evento de grande porte, como uma simples ida a uma padaria. Precisa-se promover acessibilidade e fazer com que essa participação seja feita de modo digno e de maneira completa, sem constrangimentos, atropelos e sufoco. Está na hora da pessoa com deficiência se tornar algo presente e natural na sociedade, porque é isso que queremos. Somos pessoas! Temos e devemos ser encarados com naturalidade, bem como as nossas necessidades.
A falta desses olhos atentos fez com que a 2ª Conferência de Juventude falhasse em detalhes que já estamos cansados de repetir. Tão cansados que para nós que temos uma deficiência e escrevemos sobre esse assunto, ou até mesmo para quem não tem deficiência, mas acompanha os textos escritos nessa coluna, acaba tornando-se um assunto esgotante. Mas quanto mais vivo e participo ativamente da sociedade, mais percebo quão retrógrados ainda somos nessa questão, e que a informação precisa difundir-se com amplitude e sem restrições de lugares e segmentos.
Só será possível efetivar a inclusão quando as pessoas com deficiência não ficarem restritas a pequenos lugares que tenham o mínimo de acessibilidade. Lugares esses, às vezes, isolados dos demais, dificultando a comunicação e a aproximação das demais pessoas. Isso é exclusão velada, onde o problema é aparentemente resolvido por uma rampa que vai até determinado local do espaço. Saindo dali, a responsabilidade é nossa e de quem está conosco de um segurança, ou até mesmo de alguém que está passando no momento e resolve ajudar.
Isso tudo, por muitas vezes, acaba desanimando-nos e retira o sopro de força e da crença em mudanças.
Porém quando percebo que ainda somos uma minoria onde, em meio a 3 mil jovens, as pessoas com deficiência significavam a pequena parcela de oito pessoas enfrentando essas adversidades, porém sem perder o brilho camuflado na invisibilidade e com potencial enorme e recheados de ideias que possam fazer a diferença, é que surge a súbita força de tirar essas pessoas do anonimato e mostrarmos quem somos e à que viemos.
Um corpo com limitações não pode ser e não é maior do que a capacidade e a inteligência que cada uma das pessoas com deficiência possui. Por isso repito aqui uma frase simples, sempre repetida por uma amiga muito querida: “Não vou me adaptar, não vou me adaptar.”
A sociedade é quem tem que se adaptar a nós. Porque fazemos parte dela, assim como todos os outros jovens que lá estavam lutando por seus ideais com muita fibra e determinação, mostrando que grande parte da juventude não se resume a baladas e futilidade.
Somos complexos, temos desejos de mudanças, sede de renovação. Os jovens com deficiência não fogem a essa regra.
Quem sabe a partir de 2012, meus textos aqui, sejam agraciados com mudanças positivas, e que na próxima Conferência de Juventude, possamos encontrar não oito jovens com deficiência, mas sim uma gama representativa dessas pessoas que mostre e comprove que não somos minoria; que apesar de um corpo com dificuldades, temos uma mente totalmente livre e aberta para renovação.
Enquanto isso não acontece, vou continuar divulgando e protestando contra as falhas que nos envolvem.
Para não dizer que existiram somente falhas na sociedade e no ambiente da Conferência Nacional, que é o nosso tema aqui, finalizo agradecendo e informando que conheci e tive o imenso prazer de discutir e encontrar soluções práticas e efetivas para esses e outros tantos problemas que cercam esse universo. Pessoas interessadíssimas em contribuir para acontecer a verdadeira inclusão, sem nenhum tipo de demagogia ou seguindo alguma regra boba como tantas que vimos por aí. Pessoas realmente abertas e dispostas a ouvir e dialogar com quem realmente sabe e sente cada necessidade: nós, pessoas com deficiência. É o exemplo de Fábio Meirelles Hardman de Castro, coordenador geral de Direitos Humanos, e Severine Macedo, secretária nacional de Juventude. Demonstram-se inteiramente dispostos a corrigir as falhas ali apresentadas.
Segundo Fábio, que começou a se envolver com esse assunto ainda na faculdade, depois de trabalhar numa ONG onde assuntos como acessibilidade e inclusão estavam sempre presentes, ele começou a estudar mais profundamente sobre o assunto e hoje trabalha no MEC (Ministério da Educação) na coordenação geral dos Direitos Humanos, que também desenvolve o mesmo trabalho.
Ele conta que as pessoas com deficiência representam entre 14% e 15% da população brasileira. Sendo assim a nossa participação em eventos como a Conferência Nacional de Juventude, deveria ser de, pelo menos, 150 a 200 pessoas, reivindicando seus direitos por si próprios, sem interferência de terceiros.
Ele cita a frase: “Não fale de nós sem nós”, que é um lema das Políticas Públicas de Juventude, onde o jovem reivindica o direito à voz e opinião sobre assuntos que os envolvam. Deixa ainda um recado aos gestores públicos privados e pessoas com deficiência para que facilitem e garantam essa participação, criando a acessibilidade plena e quebrando toda e qualquer barreira que impeçam essas pessoas de chegarem a esses lugares; que é de direito aos deficientes que não se escondam e não fiquem com medo; que saiam de suas casas para participarem e cobrarem a correção de erros que, muitas vezes, chegam a ser grotescos.
Frisa também a importância que ainda é necessária para que exista GT específico para se discutir as políticas públicas de jovens com deficiência.  Assim como existem os GTs das mulheres, dos LGBTS, dos negros, deveria existir um GT específico para as pessoas com deficiência que, apesar de ser um tema transversal, ainda é muito esquecido e isso dificulta até mesmo a própria discussão sobre direitos humanos. “Precisamos avançar nessa questão nos próximos anos e nas próximas conferências”, diz Fábio.
Já Severine Macedo diz que a pauta do jovem com deficiência vem crescendo muito nos últimos anos; que já existem várias participações desses jovens na Conjuve Óbvio; que em um evento desse porte sempre há problema, a exemplo do que tivemos aqui, como falta de acessibilidade nos ônibus, nos computadores para os jovens cegos e no local onde ocorriam os shows diários. “Por isso precisamos cada vez mais de vocês, puxando nossas orelhas e nos ajudando a corrigir esses erros”, diz Severine.
Diante dessas palavras, sugeri a eles que nas próximas Conferências convidem pessoas com deficiência para participarem da equipe da secretaria, conselho e organização do evento, apontando as adaptações necessárias para o bom andamento, e não somente critiquem as falhas no final do evento. Que nos dêem oportunidades plenas!
Esse é o nosso desejo e tenho certeza que ele ecoará em 2012!

domingo, 18 de dezembro de 2011

Ética,tem-se ou não.

Quando o assunto é ética para com as pessoas com deficiência, existem duas abordagens estabelecidas por lei: a primeira, mais antiga, baseia-se no modelo médico; a segunda é o modelo seguido atualmente e baseia-se no conceito social.
No modelo médico, as pessoas com deficiência eram vistas como incidente isolado e sem qualquer relação com questões de interesse público, relevância econômica, política ou social. No enfoque do modelo médico, a deficiência era assunto de responsabilidade somente do deficiente e com conseqüências somente para ele e sua família, deixando a sociedade isenta de qualquer compromisso. Isso dificultava, inclusive, a formação de leis sólidas, que realmente garantissem os direitos básicos, como acessibilidade, inclusão escolar, no trabalho, integração geral na sociedade e principalmente o combate a ações discriminatórias.
Já o social, modelo atual, considera as dificuldades enfrentadas pelas pessoas com deficiência, fruto da forma como a sociedade trata as limitações, sejam físicas, intelectuais, sensoriais ou múltiplas de cada indivíduo. A deficiência é entendida como construção coletiva e condição flexível, não necessariamente permanente. Afinal, se as barreiras de acesso são removidas, a relação de desvantagem passa a ser parcial ou, mesmo, completamente abolida.
O modelo social está relacionado, ainda, ao desenvolvimento e garantia total e irrestrita a inclusão em todos os setores da sociedade, a ética da diversidade, que tem, como ponto principal, o ser humano como um todo, com suas características individuais e privilegia ambientes heterogêneos, celebrando toda e qualquer diferença entre pessoas, onde cada um é valorizado como é, com suas experiências, contribuindo na elaboração de novos pensamentos e ações, construindo uma sociedade rica em ciclos de relacionamentos e ampliando a vivência de cada pessoa,bem como a consciência da complexidade e da simplicidade que existe em todo ser humano, independente de suas diferenças.
Do ponto de vista da ética da diversidade, a pessoa com deficiência não representa um equívoco, um deslize da natureza, que gerou seres anônimos a serem tolerados ou desrespeitados.
Diante desses modelos de ética para com as pessoas com deficiência, principalmente o primeiro, percebem-se os graves erros que marcam a história.
Existem pontos de estudos que  atribuem a ética à falta dela, às questões culturais e ou regionais. No Brasil, a falta de ética começa com  atos, como, por exemplo, a conhecida Lei de Gérson, "O importante é levar vantagem em tudo, certo?"
Quando o assunto é sobre deficiência, a falta de ética se aplica de variadas formas. Uma das mais clássicas é a frase dita, insistentemente, por quem para em vagas reservadas “ah, mas é rapidinho, nem deve ter deficiente aqui”, e talvez nem tenha mesmo, justamente por atitudes como essas. Uma paradinha rápida significa o dobro gigantesco no caminho do cadeirante, que é bem mais demorado que uma pessoa sem deficiência, pelo fato de ter que descer do carro, usando somente as mãos, sem os movimentos das pernas, o que piora no caso de quem tem uma deficiência motora, quando os movimentos que exijam força e coordenação nos braços são bem mais complicados. Com tais dificuldades, por muitas vezes, acabam desistindo e indo embora.
Em um país, onde, até um tempo atrás, como bem disse o primeiro modelo, a deficiência era considerada um equívoco da natureza, com leis afrouxadas, onde a relação com o deficiente era pautada no descaso e exclusão total, não será somente se apoiando nas novas políticas de inclusão que ela acontecerá com a plenitude a que tem direito e a que merece,pois, como todos veem, a concepção sobre o papel do deficiente e da sociedade para com ele mudou, porém somente no papel.Isto, porque a exclusão ainda é uma realidade.
A inclusão ocorrerá, quando tivermos a consciência de que, para tratar deste assunto, não é necessário ter piedade nem medo de lidar com suas dificuldades. Ou, como diz o modelo 2, simplesmente tolerá-los, e, sim, ter a ética de respeitar todos os direitos que lhe são garantidos e, mais do que isso, é saber que ética não é algo que se usa somente quando nos convém, quando achamos que devemos praticá-la, ou somente quando nos favorece interesse próprio. Ética não é somente fazer tudo certinho, é agir e pensar coletivamente, é sair do discurso e ir à ação, é ter noção de civilidade, é ter a capacidade de deixar o egocentrismo de lado e colocar-se no lugar do outro.
Não adianta termos ética no trabalho, se, ao sair de lá, não respeitarmos as pessoas como indivíduos, pois não existe meia ética. ÉTICA, OU SE TEM OU NÃO!

sábado, 24 de setembro de 2011

Preconceito na Paulista

Assisti a um vídeo e fiquei angustiada, ao ver uma pessoa chamando outra de lixo, de macaco.
Postei o vídeo numa de minhas páginas de rede social, acompanhado de um trecho de um texto que eu já havia escrito sobre “O preconceito para com a deficiência física ocorre, porque ela incomoda, é visível, constrange alguns, enquanto o deficiente de espírito, o aleijado moral não tem “defeito aparente”, porquanto se consideram mais valorosos, o que é um grande engano, pois muitas vezes denigrem a espécie humana.
Recebi um comentário, dizendo que o exemplo não foi muito bom, que os policiais eram despreparados e que a senhora aparenta ter problemas físicos, com o que concordo(pois usa um andador) e psíquicos.Comecei a digitar a resposta, e,como sempre escrevo muito, acabou virando um texto.
Se chamar uma pessoa de lixo, de macaco, seja ela deficiente ou não, é normal e pode ser usado como desculpa o desequilíbrio psíquico, está explicado por que a humanidade está no ponto em que está. Sem amor, sem respeito,sem compaixão, sem tolerância. A distinta senhora usou sua condição social mais favorecida, para humilhar e espezinhar um outro ser humano. Se ele estava incomodando, ela que o tratasse como gente e pedisse que a polícia o tirasse de lá. Não estou discutindo o pedido dela, embora ache que isto é um egocentrismo sem tamanho.
Mas a questão em foco é a maneira como essa senhora se referiu a uma pessoa, o que denota  discriminação e preconceito, o que,em qualquer uma de suas esferas, seja ele, racial, físico ou social, é crime. A única maneira de se punir um crime é mandando o infrator pa ra a cadeia, pois esta é a lei e tem que ser cumprida. Os policiais apenas cumpriram sua obrigação. A lei vale para todos, seja pessoa desequilibrada ou não.
O desequilíbrio realmente parece latente na personalidade dela, o que significa que não deve andar sozinha, mas procurar tratamento e que seja medicada da melhor forma, para ter restabelecer sua sanidade. Entretanto isto não é uma responsabilidade da polícia. Percebemos que ela tem a seu favor toda uma condição de tratamento, para controlar os “pitis” e provavelmente amparo da família e advogados, ao contrario da pessoa (o lixo, segundo ela disse) que estava ali, na rua, que se mostrou totalmente sem condições de se defender daquela situação. Além do desequilíbrio, consegui perceber sua soberba, certa de que ela é melhor do que as outras pessoas, independente de seus atos. Que a parte pobre da humanidade, para ela, é descartável, analfabeta, vagabunda, lixo mesmo. Policiais podem ser destratados, como foram por ela? Por mais desequilíbrio que alguém tenha, quando a humildade é visceral em sua personalidade, jamais terá uma atitude como essa.
Você tem razão, talvez meu texto esteja realmente inadequado para com a situação, pois coloquei somente a deficiência no centro da reflexão, enquanto ali se discute o respeito amplo ao verdadeiro, “direitos humanos”. Porém, no meu caso, não dá para deixar de lado o preconceito também pela deficiência, pois é algo intimamente ligado a mim e, acredite, já vi muitas pessoas com deficiência sofrendo situações absurdas por parte de pessoas, como essa senhora um “pouquinho desequilibrada”. Esses deficientes acabam deixando de denunciá-las por medo, insegurança, falta de informação. Também,  por serem tratados como lixos, acabam, realmente,  sentindo-se  como tal. Isso dói em minha alma.
Pode até ter sido sensacionalista, porém a única responsável pela produção do espetáculo foi a distinta senhora, pois a mídia só reporta o que acontece. Sendo mostrado de maneira sensacionalista ou não, o fato aconteceu e tenho certeza de que nada, ali, foi inventado infelizmente.
O que a polícia deveria ter feito? Jogado o "lixo” numa caçamba e pedido perdão à “senhora desequilibrada”?
Esse “lixo” poderia ser alguém próximo de mim, de você.
Também acredito que não seja só o governo o responsável por seres, como aquele senhor, estarem jogados na rua "incomodando” as pessoas. Eu, como deficiente física, sei das consequências de cada palavra ouvida, de cada olhar de desprezo, de cada atitude de pessoas como a dessa senhora, mostrando que nos acham seres insignificantes e um erro da natureza ou, segundo ela, lixos. Imagine sendo pobre e deficiente!
Nem todos têm a sorte de ter uma família estruturada emocionalmente, para ajudá-los a superar situações como essas.
Prisão de pessoas como essa senhora já é uma perspectiva de mudança.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

A caminho de uma nova sociedade


Foi extraordinário o número de jovens na 1ª Conferência Municipal da Juventude de Presidente Prudente, no último 19 de agosto. Aproximadamente 580 jovens cidadãos, interessados em mudanças, em roformas políticas, dispostos a “gritar e a lutar”, para que seus objetivos e necessidades sejam ouvidos e atendidos.
Impressionante, também, a organização, mantendo esses jovens sempre ativos e envolvidos o tempo todo, em cada passo do evento.O triste é ver que, em meio a tantos jovens, não havia ninguém, além de mim, com deficiência.
Segundo o IBGE, Presidente Prudente tem, aproximadamente, 20.386 pessoas com deficiência. Onde estão? Por que não participaram? Falta de interesse da parte deles?
Acredito que não, pois tantos são os atropelos impostos pela falta de acessibilidade, transporte, entre outras situações vividas, que são extremamente injustas. Acabam-se deixando vencer pelo muro da exclusão, que separa as pessoas e distorce seus mais nobres potenciais.
Consegui perceber que a inclusão da Pessoa com Deficiência sequer passava nos planos de discussão, quando, em um determinado momento da Conferência, foi realizada uma divisão de grupos, para discutirem assuntos importantes, citando seus problemas e apontando soluções, para serem trabalhados posteriormente. Meu grupo tratou de Educação e trabalho. Sugeri, evidentemente, a inclusão real nas salas de aula, não simplesmente “jogar” a pessoa no ambiente escolar, e não ser trabalhado da maneira correta, aproveitando o potencial de cada um, da melhor maneira. Acontece que senti falta de apoio e interesse maior das pessoas por esse assunto.
Voltando à reunião geral, onde foram lidas as sugestões de cada grupo e, após, foi realizada a candidatura de delegados para as próximas Conferências e para trabalharem as necessidades dos jovens. Resolvi candidatar-me. Foram 35 candidatos para 15 vagas e, para minha surpresa, fui eleita por unanimidade. O contentamento tomou conta de mim, percebi e senti, mais uma vez, que só saindo das nossas “tocas”, mostrando a cara e enfrentando essa realidade , é que conseguiremos algo melhor: mudar o pensamento das pessoas mal informadas e mostrar que deficiência não é sinônimo de incapacidade.
Não dá para falar em uma sociedade mais justa, esquecendo aquilo que achamos ser uma minoria sem expressão. Pessoas com deficiência não são simples leis postas num papel, são pessoas, indivíduos com opiniões e realidades diversas, que têm muito que contribuir e expressar.
Agora é hora de botar em prática todo o pensamento e discurso de aceitação do diferente. Isto,porque o mundo é realmente “rico” em diversidade de pessoas. Incluir é fazer interagir, e não figurar”. É acreditar no potencial humano, sem julgá-lo pela sua aparência ou por estereótipos já traçados.Incluir é dar oportunidade, respeitando e aceitando as dificuldades e particularidades de cada um. É saber encaixar as ações e pensamentos na prática. Incluir é pensar no coletivo. E o mais difícil, para fazer valer a real inclusão, é deixar o próprio ego de lado e olhar para o outro, sem uma opinião já pré-determinada. Quando isso cair por terra, aí, sim, todos os tipos de inclusão serão colocados em prática...  Incluir é saber ouvir, saber delegar, saber trabalhar toda e qualquer oportunidade de demonstração de qualquer tipo de talento que surgir, por mais “frágil ou incapaz” que alguém pareça ser, seja por condições estéticas, físicas ou intelectuais.
O que tem que estar sempre em mente é que cada ser humano é realmente uma caixinha de surpresas, que sempre pode dar bons resultados, independente de quem seja essa ideia.
É importante, ainda, repararmos na diferença de inclusão verdadeira ou de complacente e piedade. Com efeito, incluir é sabermos exigir e extrair o melhor que cada um pode dar, apesar de suas limitações...
Por isto, acredito em que a 1ª Conferência sobre Políticas Públicas da Juventude de Presidente Prudente realmente será um divisor de águas no cenário público da cidade, pois falará de inclusão do jovem em todos os seus aspectos e amplitudes.
 Marcos Vinha(vice´prefeito), Tupã (Prefeito)Juliano  Borges (Assessoria de Juventude/Gabinete do Prefeito)
Ed Thomas (Deputado) e Selma Alves de Freitas Martins (Secretaria Municipal de Educação)
 Dr. Luiz Antonio Miguel Ferreira (Promotor da Infância e Juventude)

 
 Dra. Marisa Feffermann (Diretora do Institudo Saúde da Secretária do Estado da Saúde)
 Tupã (Prefeito)


Pessoas  interessantes e interessadas em mudanças reais.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Luzes acesas e... mão na roda!

Sou um ser em metamorfose, que dá asas à imaginação, que me deixa, por longos momentos, com ausência do mundo. Crio, fantasio, produzo, dirijo, acendendo as luzes do palco e entro em cena...
Foi pensando em converter estas palavras em ações que resolvi,  mais uma vez, entrar em cena, dessa vez, numa situação diferente. Resolvi  inscrever-me  na oficica "O Fazer Cinematográfico’’, ministrada pelo ator e cineasta Vicentini Gomez, de 25 a 31 de julho, no Centro Cultural Matarazzo de Presidente Prudente –SP.
Quis experimentar  minhas aptidões no mundo cinematográfico, já que é um sonho de criança, viver a arte;  descobrir onde me sairia melhor, conhecer a criação, produção, direção desse maravilhoso mundo de fantasia, ficção, realidade...
Chegando lá, senti um frio na barriga. Em meio a 70 pessoas inscritas, eu era a única com deficiência. 
Descobri minhas habilidades e o que a cadeira me impedia de realizar como qualquer pessoa, encontrei dificuldades para alguma atividade, mas compensando em outras, descobrindo até onde posso ir, meus talentos, que independem de uma cadeira de rodas.
Como resultado da oficina, foi produzido o documentário “Visões’’, com a participação dos alunos. O filme mostra as diferentes visões do “amor’’ e da “felicidade’’, com imagens capturadas na cidade e  depoimentos de pessoas de diversos segmentos sociais e culturais de nossa cidade. Dentre elas, dona Eva de Assis dos Santos, catadora de lixo e presidente da Cooperativa dos Trabalhadores de Produtos Recicláveis de Presidente Prudente [Cooperlix], a jornalista Mirian Ribeiro, o músico e professor Luizão(Projeto Camerata), Sebastião José de Oliveira – “Baiano” (engraxate), o Advogado e escritor Henrique Chagas, Leonardo Ferreira – “Léo” (Produtor Cultural / Professor Hip Hop e Grafiteiro)    e, para minha surpresa, também fui convidada pelo diretor, para prestar um depoimento.
Segundo Vicentini Gomez, o que torna o documentário interessante é mostrar o cotidiano e perceber que, apesar das diferenças, cultural e social, que separam os depoentes, suas visões sobre o tema se cruzam.
Com uma prévia exibida no domingo, o documentário emocionou a todos com as histórias de superação e determinação para alcançar a felicidade, buscar o amor e a realização pessoal. Terá sua edição finalizada e será apresentada no final de setembro, prometendo, ainda, mais emoção e surpresa!
A oficina foi uma grande oportunidade, para mostrar que é possível fazer cinema em Presidente Prudente. Apesar de ser uma área de pouco investimento na cidade, existem excelentes profissionais dispostos a trabalhar com extrema dedicação.
E os planos não param por aí. Motivados pela oficina e com o apoio da Secretaria Municipal de Cultura de Presidente Prudente, alguns participantes estão planejando a criação do Cine Clube Municipal.
Haverá,ainda, no mês de agosto, a oficina de Cineclubista, ministrada por José Vinagre, na Oficina Cultural Timochenco Wehbi .
E acrescento, mais, que tudo é possível e válido para a realização do Amor e da Felicidade, posto que, se valorizarmos apenas nossos limites, nunca viveremos, plenamente, a vida.
Superar-nos também é isto, um processo de autoconhecimento.
... E é isto aí, pessoal, luzes acesas e mão na roda!


Primeiro dia de oficina

Reunião para discussão de roteiro
Reunião para divisão de equipes
Alguns flashs da gravação do depoimento

Vicentini Gomez...depois da gravação

Equipe de gravação

Equipe na finalização da oficina.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

As facetas do preconceito


Nessas férias, vivi tantos momentos. Infelizmente, pude constatar que ainda há muito a ser feito, para se quebrar o preconceito. Saí com muitos amigos. Como a diversidade é grande. Percebemos como o “diferente” ainda  assusta, causa indignação, impotência, em outros raiva; por incrível que pareça vivi tudo isso em um mês.
O que percebi foi que, quando saí com amigos sem deficiência física, a única fonte de olhares diferentes era eu mesma, mas nada que não fosse contornável ou superável.
Outra situação foi quando fomos numa festa e depois num bar, com um grupo  mais diversificado,  com quatro amigos sem deficiência física, um gay e eu, cadeirante. Sim, estranho falar dessa forma, mas é assim que somos classificados... Foi exatamente dessa maneira que ouvi o garçom se referir ao outro para nos atender.
Falando em garçom, também achei graça quando saí com uma amiga, que mora em São Paulo, (tem má formação congênita nos membros inferiores e superiores, ou seja, usa  prótese nas pernas e não tem parte dos dois braços), a mãe dela e  a minha mãe, pedimos água e refrigerante e ela um chope. O garçom nos serviu e o chope botou para a mãe dela, quando ela disse, o a água é minha, o chope é dela, ele ficou tão surpreso, enrolou-se todo para servir e trouxe um canudinho para ela beber o chope, detalhe, ela não precisa do canudinho, ela faz tudo normalmente, inclusive pegar num copo para beber seu chope.
Dias depois fomos numa igreja, num culto de jovens, gostei bastante, pessoal bacana. O curioso foi que um dos jovens que estava pregando ficou tão “sensibilizado”, tão sem saber o que fazer, que ficou atrapalhado na hora de falar. Foi então que entendi que ele queria nos dizer que aqui na terra estamos “infelizes”, mas que lá no céu teremos “asas para voar”. Percebi que ele sentiu uma pena da gente, tadinho; ele só conseguiu enxergar  nossos corpos, nada além disso...  E no momento que ele falava, nos olhando fixamente, uma outra amiga nos ofereceu uma bala, eu toda enrolada com minha coordenação, peguei mas não abri, quando ouvi a pessoa perguntar para minha amiga que não tem as mãos e parte dos braços: ”quer que eu abra pra você?”. Antes de terminar a pergunta, ela já estava levando a bala na boca e ainda me perguntou se eu queria que ela abrisse a minha. Imediatamente tomei “vergonha” e abri a minha, mesmo com dificuldade. Percebi que o “pregador” olhou a cena mas não enxergou, não entendeu que não somos dignas de pena, que não somos seres infelizes aguardando chegar nos céus para voarmos...Voamos aqui!!(hehe)
Como sempre digo, o preconceito é uma praga que denigre a espécie humana. Não foi diferente no hospital onde minha avó ficou internada. Eu e minha mãe fomos passar a tarde com ela, quando chegaram dois enfermeiros para levá-la  a um setor de RX. Percebi que um deles, ao me ver no quarto ficou extremamente irritado, sentiu raiva, pediu para sairmos, para que preparassem minha avó. Fomos para o corredor e nesse momento aconteceu uma coisa muito engraçada, uma enfermeira chegou, pegou na minha cadeira e disse:” O exame é na sala ao lado”. Respondi: “Não sou paciente, estou visitando minha avó, sou cadeirante só, não estou doente!”
Ela ficou tão sem graça, que mal conseguiu pedir desculpa. Voltando ao enfermeiro, que estava profundamente irritado com minha presença, voltou no quarto no final da tarde e meu avô já havia chegado e mais dois parentes, ele perguntou o grau de parentesco de cada visitante, claro que não me perguntou nada, minha mãe que disse, ela é neta. Ele não deu resposta e pediu que meu avô fosse falar com ele  no corredor. Simplesmente solicitou que ele me mandasse sair porque estava tomando muito espaço lá no quarto. Meu avô não sabia o que fazer e falou para minha mãe. Como era um ambiente de hospital, ela não discutiu,  por medo que ele maltratasse minha avó, e simplesmente me chamou pra irmos embora.
 Também fui num jornal no Paraná (não nessas férias) mas o absurdo foi tão grande que vale ser citado. Estávamos divulgando um projeto de inclusão, que participo. Fomos eu, uma outra garota que é desse estado e também faz parte do projeto e o autor do mesmo (que não tem deficiência) e meus pais. Fomos recebidos pelo editor-chefe e após a entrevista ele nos convidou para conhecer a repartição que, para mim, foi maravilhoso, já que curso jornalismo. Na saída, uma das jornalistas (que estava grávida) disse a outro colega: “nossa, que clima pesado, depois que elas saírem, precisamos mandar benzer esse lugar”.  Minha mãe, que tinha ficado para trás, porque ficou conversando com uma estagiária curiosa em entender melhor o nosso dia-a-dia, ouviu.  Ficou sem reação, porque considerava que num lugar de pessoas que trabalham com a noticia, que são consideradas tão cultas, lêem muito, porque a profissão exige, achou que essas pessoas tivessem a visão ampliada. Ela só conseguiu me contar muito tempo depois, porque o choque foi grande .
A resposta que dei à minha mãe é a verdade que carrego. O preconceito está em todas as partes; não tem cor, credo, classe social ou intelectual, não tem forma, não tem cheiro... Ele está impregnado na alma dos frustrados, dos soberbos, dos desavisados, dos ignorantes, dos fúteis, dos miseráveis...  Mas quem sou eu para criticá-los ou ignorá-los, se sabemos que a perfeição não existe?
Estamos aqui para aprender, evoluir, deixar nossa história marcada de maneira positiva, ou não, viver o que Deus preparou para cada um de nós, se Ele me permitiu essa deficiência é porque sabe que sou forte o bastante para assumi-la. Porque o mundo é de Deus, mas Ele empresta aos valentes!
A vida é feita de escolhas. Eu escolhi ser valente, ser feliz! E não há preconceito de  ninguém que vá me derrubar, porque não sou a deficiência, sou Camila Mancini.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

E lá vem o mito da Paralisia Cerebral.

O termo paralisia cerebral (PC) é usado para definir qualquer desordem caracterizada por alteração do movimento secundário, caracterizado por uma lesão não progressiva do cérebro em desenvolvimento.
O cérebro comanda as funções do corpo. Cada área sua é responsável por uma determinada função, como os movimentos dos braços e das pernas, a visão, a audição e a inteligência. Uma criança com PC pode apresentar alterações que variam desde leve falta de coordenacão dos movimentos ou uma maneira diferente, para andar, até a inabilidade para segurar um objeto, falar ou deglutir.
O desenvolvimento do cérebro tem início logo após a concepção e continua após o nascimento. Ocorrendo qualquer fator agressivo ao tecido cerebral antes, durante ou após o parto, as áreas mais atingidas terão a função prejudicada e, dependendo da importância da agressão, certas alterações serão permanentes, caracterizando uma lesão não progressiva.”  (Fonte: Rede Sarah Kubistchek).
No meu caso, como já expliquei em vários textos, minha dificuldade ocorre nos movimentos finos, como escrever com lápis, cortar alimentos com faca... e no andar, quando sou muito, muito lenta e descoordenada.
Mas o engraçado é que, quando é visível minha dificuldade, e é somente física, o cognitivo e a fala foram preservados. Mesmo assim, algumas pessoas assustam-se, quando lhes digo o  “nome” que define minha deficiência, uma reação de espanto, onde entra aquela clássica dúvida: “Meu Deus, onde me estou metendo? Será que essa paralisia é genética, é progressiva, será que a qualquer momento ela poderá ter um surto psicótico? Será que ela vai conseguir entender tudo que vou dizer?
Isto ocorre, quando existem pessoas que ainda se dão o benefício da dúvida, que é direito de todos, quando estão diante de uma situação desconhecida. Ruim, mesmo, são aquelas que já determinam que não entendo nada, dirigem-se a quem me está acompanhando, para perguntar-lhe algo ou, se   perguntam a mim, usam a linguagem “fofinha”, que, por muitas vezes, nem criancinhas de cinco anos suportam.
Dois casos engraçados ficaram marcados. O primeiro foi com a apresentadora de um telejornal, do qual participei, para divulgar a parceria de um projeto de inclusão com um programa da mesma emissora. Ela sabia que ia entrevistar uma jovem com deficiência, que participa de vários projetos de inclusão e que acabara de ingressar na universidade, para cursar jornalismo. Maravilha!!! Até que recebeu mais informação e ficou sabendo que tenho PC. A pergunta imediata foi: "Nossa, ela vai entrar de maca? Ela vai conseguir comunicar-se? O que farei, quando ela entrar? Como a entrevistarei?"
Aí chegou o momento que mais adoro, a hora de desbancar a inimiga nº 1 de todas as pessoas com deficiência e a principal fonte do preconceito, neste caso, a má informação. Quando fomos apresentadas e ao longo da entrevista, senti que sua insegurança e incerteza foram desaparecendo, até que, ao final, ela me disse que fazia outra ideia de Paralisia Cerebral e me agradeceu,  por tê-la esclarecido, mesmo que indiretamente, esta questão.
O segundo caso foi o mais cômico ou trágico, dependendo do ponto de vista. Conheci um garoto, paixão à primeira olhada, literalmente. Saímos, conversamos muito. Três dias depois de total romance, eis a pergunta: Cáh, por que você está na cadeira de rodas, foi acidente?
Respondi-lhe: Não! Tenho paralisia cerebral, que afetou minha coordenação motora.
Pronto! Fiquei solteira novamente. Só essa palavra bastou para que ele se assustasse.
Se você cruzar com alguma pessoa com PC por aí, não fuja, pois, mesmo nos casos mais complicados, é possível manter-se a comunicação. Somos PCs e ETs .
Informe-se, mais, sobre os tipos de PCs, acessando o site do Centro de reabilitação Sarah Kubitscheck.